ABA, terapia padrão ouro para autismo, não precisa ser aplicado em excesso e pode ser associado a outras terapias

A Análise Aplicada do Comportamento (ABA), criada em 1968 por pesquisadores da Universidade do Kansas, é considerada uma das abordagens mais embasadas cientificamente para o tratamento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Apesar disso, especialistas destacam que a intervenção não deve ser medida apenas pela quantidade de horas, mas principalmente pela qualidade.

Inicialmente voltada à modificação de comportamento em diferentes contextos, a ABA passou a ser amplamente utilizada no atendimento a pessoas com deficiência, incluindo o autismo. Segundo a professora Thais Porlan, da UFMG, trata-se de uma ciência em constante evolução, que hoje considera cada vez mais as individualidades e os contextos de vida dos pacientes.

O psiquiatra Guilherme Polanczyk, da USP, afirma que as intervenções comportamentais seguem como padrão ouro no tratamento do autismo. No entanto, ele ressalta que a aplicação deve ser personalizada. Estudos antigos, como os do pesquisador Ivar Lovaas, indicavam benefícios em intervenções intensivas de até 40 horas semanais, mas esse modelo passou a ser questionado por possíveis impactos negativos.

Dados do relatório Mapa Autismo Brasil 2026 mostram que a adesão à ABA no país ainda é limitada, com 29,8%, enquanto a psicoterapia alcança 52,2%. A maioria das pessoas com TEA realiza cerca de duas horas semanais de terapia, e apenas 1,5% chega a 40 horas ou mais.

Casos como o da menina Lorena, de 7 anos, ilustram essa mudança de abordagem. Após uma rotina intensa de até seis horas diárias sem resultados satisfatórios, a família optou por um modelo mais leve, com seis horas semanais. Segundo a mãe, a criança apresentou melhor desenvolvimento, com avanços na comunicação e interação.

Especialistas defendem que o tratamento deve considerar não apenas aspectos clínicos, mas também o contexto familiar, social e escolar da criança. A tendência atual é adotar intervenções mais flexíveis e integradas à rotina, priorizando autonomia e qualidade de vida.

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