A Anvisa intensificou a fiscalização sobre as chamadas “canetas emagrecedoras” e restringiu duas principais vias de acesso a produtos sem registro no país: a importação via Paraguai e a produção em farmácias de manipulação. Segundo o presidente do órgão, Leandro Safatle, as medidas visam garantir a segurança dos pacientes diante da identificação de medicamentos falsificados, de baixa qualidade ou produzidos fora dos padrões sanitários.
A ação ocorre em meio ao crescimento de um mercado paralelo que envolve medicamentos conhecidos como Ozempic, Mounjaro e outros à base de liraglutida. A Anvisa aponta que parte das farmácias de manipulação tem produzido em larga escala, desrespeitando a exigência de fórmulas individualizadas e boas práticas de fabricação.
Como resposta, a agência pretende endurecer as regras do setor, incluindo a exigência do Certificado de Boas Práticas de Fabricação (CBPF) para insumos utilizados. As novas normas devem ser votadas ainda em abril. Em 2026, já foram realizadas 26 inspeções, com interdição de mais de 1,3 milhão de unidades de emagrecedores.
A fiscalização ganhou força após operações da Polícia Federal, que identificaram irregularidades em diversos estados. Além disso, a Anvisa proibiu a comercialização de produtos paraguaios como Gluconex e Tirzedral, após constatar riscos no transporte e na procedência.
A agência também firmou cooperação com autoridades sanitárias do Paraguai e criou grupos de trabalho com entidades médicas para reforçar o uso seguro desses medicamentos, originalmente indicados para diabetes e obesidade.
Apesar das restrições, a Anvisa afirma que busca ampliar a oferta de produtos regularizados. Atualmente, o órgão analisa 16 novos medicamentos com semaglutida, após a perda de patente da substância, visando aumentar o acesso com segurança.