Uma trajetória de imigração, trabalho, dor e resistência que se transforma em vinho e memória.
A história da família Marquesin se confunde com a própria formação do interior paulista. Em 1888, vindos de Treviso, na Itália, seus antepassados desembarcaram no porto de Santos ao lado de tantas outras famílias que deixavam tudo para trás em busca de dignidade e futuro. O destino era Jundiaí. O desafio, imenso.
Na nova terra, entre sol intenso e trabalho árduo, os Marquesin passaram a atuar na lavoura de café. Anos depois, com perseverança e sacrifício, conquistaram o sonho da terra própria: o Sítio Ponte Alta. Mais do que uma propriedade rural, aquele espaço passou a representar pertencimento, identidade e continuidade familiar.
O resgate de uma tradição quase esquecida No ano 2000, a história ganhou novo fôlego pelas mãos de Aristeu Marquesin, descendente direto dos imigrantes. Movido pelo desejo de honrar as origens, ele decidiu resgatar a produção do vinho colonial, como era chamado na época — um vinho feito com tempo, cuidado e afeto, antes restrito à família e aos amigos.Após participar de um curso de capacitação rural, Aristeu uniu forças com outros pequenos produtores artesanais e ajudou a fundar a Cooperativa AVA. A partir desse momento, o vinho deixou de ser apenas tradição doméstica e passou a ganhar reconhecimento comercial, sem jamais perder sua essência artesanal.
A perda que quase interrompeu o legado
O capítulo mais doloroso dessa trajetória foi escrito em 5 de abril de 2021. Com menos de uma hora de diferença, Aristeu Marquesin e sua esposa, Sheila Marquesin, faleceram vítimas da Covid-19. Uma perda profunda, que abalou a família e colocou em risco a continuidade de um legado construído ao longo de gerações.
O futuro dos Vinhos Marquesin passou então para o filho, Evandro Marquesin, que também enfrentou a doença e, após se recuperar, precisou escolher entre desistir ou seguir adiante.
Continuar como forma de homenagem
Hoje, Evandro segue adiante como produtor e guardião dessa história centenária. A adega mantém uma produção anual de cerca de 6.000 litros de vinho, comercializados diretamente no local, preservando o contato humano e a autenticidade do processo.
Na propriedade, são cultivadas sete variedades de uvas, entre elas Corbina, IAC Máximo 138, Isabel, Bordô e Moscatel, além de um vinho licoroso branco de uva Niágara, de perfume marcante e sabor singular — expressão fiel da terra e da tradição familiar.
O que antes era produzido apenas para consumo próprio tornou-se, com o tempo, uma atividade que gera renda, identidade e continuidade para a família Marquesim.
Quando o carinho dos visitantes sustenta o futuro
Por inúmeras vezes, a dor da perda quase levou Evandro a pensar em desistir da produção e da própria propriedade. Mas foi no turismo rural, no afeto dos visitantes e na alegria de quem chega para conhecer a história e provar o vinho, que a ideia de parar ficou em segundo plano.
Cada visitante reforça que essa história não terminou. O Sítio Ponte Alta tornou-se um espaço de encontro entre passado e presente, onde o vinho conecta gerações.
Informações para Visita
🕒 Horário de Funcionamento
* De segunda a domingo, das 10h às 17h
📍 Endereço
Av. José Mezzalira, 588 – Caxambu
Jundiaí – SP – 13218-740
📞 Contato
(11) 4584-6622
🌐 Redes Sociais
* Instagram: @adegamarquesim1
* Facebook: Adegamarquesim
Família Marquesin – Vinhos Marquesim
Uma história que começou na Itália e segue viva em cada garrafa.