Ala do STF passa a defender domiciliar para Bolsonaro e vê ida à Papudinha como passo inicial

Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) avaliam que a decisão do ministro Alexandre de Moraes de transferir o político para a chamada Papudinha pode ser um passo inicial para a concessão da prisão domiciliar. A análise é compartilhada por integrantes da Corte de diferentes correntes, que veem no novo local melhores condições de permanência e um possível sinal de flexibilização no curto prazo.

Embora Moraes não tenha indicado formalmente a intenção de conceder o benefício, a mudança foi interpretada internamente como um gesto. Na decisão, o ministro afirmou que o cumprimento da pena não se trata de “estadia hoteleira” ou “colônia de férias” e rebateu críticas feitas por familiares de Bolsonaro sobre as condições da custódia anterior na Polícia Federal.

Condenado por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro havia sido retirado do regime domiciliar em novembro, após tentar violar a tornozeleira eletrônica. O ex-presidente alegou curiosidade, enquanto médicos atribuíram o episódio a possível confusão mental causada por medicamentos — avaliação contestada por especialistas.

Desde o início do regime fechado, a defesa apresentou diversos pedidos, incluindo melhorias estruturais, e a família tem apontado riscos à saúde do ex-presidente. A mobilização se intensificou após uma queda que resultou em traumatismo craniano leve.

À Folha de S.Paulo, um ministro do STF próximo a Moraes afirmou que passou a defender a prisão domiciliar por receio de que o Supremo seja responsabilizado por eventuais agravamentos no estado de saúde de Bolsonaro. Segundo ele, seria apenas uma questão de tempo até que Moraes considere essa alternativa.

A avaliação ganhou força após articulações da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, junto a ministros da Corte. Michelle conversou com Moraes e Gilmar Mendes; Tarcísio falou com quatro magistrados.

A unidade para onde Bolsonaro foi transferido possui 65 m², com quarto, banheiro, sala, cozinha e área externa, e será usada exclusivamente por ele. Moraes destacou que o local permite maior tempo de visitas, banho de sol livre, exercícios físicos e instalação de equipamentos de fisioterapia.

O ministro também determinou que Bolsonaro seja avaliado por uma junta médica da Polícia Federal. Após o laudo, Moraes decidirá se mantém o ex-presidente na unidade, se o transfere para hospital penitenciário ou se analisará o novo pedido de prisão domiciliar apresentado pela defesa.

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