Alimentos e bebidas têm menor inflação para janeiro em duas décadas

A inflação do grupo alimentação e bebidas desacelerou para 0,23% em janeiro no Brasil, segundo dados do IPCA divulgados pelo IBGE nesta terça-feira (10). Trata-se da menor alta para um mês de janeiro desde 2006 e a segunda menor desde o início do Plano Real, em 1994. O resultado veio após variação de 0,27% em dezembro.

Tradicionalmente, os preços dos alimentos sobem entre o fim e o início do ano por questões de oferta e demanda, mas a taxa registrada em 2026 ficou bem abaixo da média histórica. Economistas atribuem o desempenho a boas safras e à valorização do real em 2025, que ajudou a reduzir o custo de commodities.

No subgrupo alimentação no domicílio, a alta foi de 0,10% em janeiro, também abaixo da registrada em dezembro (0,14%). Entre os destaques de queda estão o leite longa vida (-5,59%) e o ovo (-4,48%), reflexo do aumento de estoques, importações, redução no custo da ração e menor consumo durante as férias.

Por outro lado, o tomate subiu 20,52%, pressionado pela desaceleração da safra e perdas provocadas por calor e chuvas. As carnes também avançaram 0,84%, com altas no contrafilé (1,86%) e na alcatra (1,61%).

No acumulado de 12 meses até 2025, a alimentação no domicílio registra inflação de 1,43%. Para 2026, economistas projetam alta maior, em torno de 3,8%, influenciada pelo ciclo da pecuária — com menor oferta de animais para abate — e possíveis impactos do El Niño.

O custo da comida tem peso relevante no orçamento das famílias, especialmente das mais pobres, e costuma influenciar o cenário econômico e político em anos eleitorais.

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