Anistia do governo espanhol muda perspectiva de imigrantes em situação irregular

O governo da Espanha, liderado pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez, anunciou no fim de janeiro uma regularização extraordinária de imigrantes e solicitantes de asilo que já vivem no país. A medida pode beneficiar cerca de 800 mil pessoas, segundo relatório da Fundação Espanhola de Pesquisa Econômica e Social, especialmente latino-americanos. Os pedidos poderão ser feitos entre abril e 30 de junho.

Para ter direito, o imigrante deve ter entrado na Espanha até 31 de dezembro de 2025, residir no país há pelo menos cinco meses e não possuir antecedentes criminais. A regularização garante autorização temporária de trabalho por um ano, permitindo atuação legal em qualquer região, mas não concede cidadania.

Brasileiros em situação irregular também poderão ser contemplados. É o caso de Fátima, que vive em Madri desde julho do ano passado e trabalha de forma informal. Com a nova regra, ela espera conseguir melhores oportunidades e estabilidade. Felipe, que mora no país há dez anos sem documentação, também pretende aderir para poder viajar ao Brasil e retornar legalmente.

Especialistas avaliam que a medida pode fortalecer a economia espanhola ao retirar milhares de pessoas da informalidade, ampliando a arrecadação de impostos e o consumo. Em 2025, trabalhadores estrangeiros já representavam mais de 14% dos empregados registrados no país, segundo o Ministério da Inclusão, Segurança Social e Migrações.

Apesar do apoio do governo e de partidos de esquerda, a oposição critica o decreto e alega possível “efeito chamariz”, com aumento da pressão sobre serviços públicos. Ainda assim, analistas apontam que a iniciativa responde ao envelhecimento populacional da Espanha e à necessidade de mão de obra em setores como tecnologia, saúde, serviços e construção civil.

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