Um estudo recente aponta que, seis anos após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG), a contaminação do solo na bacia do rio Paraopeba continua impedindo a recuperação natural da vegetação. A tragédia de 25 de janeiro de 2019 lançou cerca de 10 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração no ambiente, deixando 272 vítimas e impactos ambientais duradouros.
A pesquisa, publicada na revista Environmental Pollution, mostra que a presença de metais como ferro, manganês e níquel compromete a germinação e o crescimento das plantas, especialmente de espécies arbóreas. Segundo os autores, a regeneração da flora não ocorre espontaneamente em áreas contaminadas, exigindo ações de restauração planejadas.
O trabalho é assinado por pesquisadores do grupo Criab, da Unicamp, e integra o doutorado da bióloga Maíra Silva. Amostras de solo coletadas em 2022, na chamada “zona quente” — a área mais afetada pelo desastre — foram analisadas em um experimento de 202 dias. Os resultados indicaram que, embora algumas plantas cheguem a emergir, muitas não sobrevivem, evidenciando efeitos tóxicos persistentes.
O ferro presente nos rejeitos forma uma camada sobre as sementes, dificultando a germinação e favorecendo a entrada de outros contaminantes. Com isso, apenas gramíneas conseguem se estabelecer, o que leva à homogeneização da paisagem, aumento da erosão e perda de biodiversidade, já que essas espécies não retêm o solo das margens do rio como árvores e arbustos.
De acordo com a pesquisadora, visitas recentes à região confirmam que a vegetação não se recuperou sozinha. O estudo reforça a necessidade de estratégias específicas de reflorestamento e restauração ecológica em ambientes contaminados, considerando os riscos aos serviços ecossistêmicos e às populações que dependem deles.