A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Inluriyo (tosilato de inlunestranto), novo medicamento oral desenvolvido pela Eli Lilly do Brasil para o tratamento de adultos com câncer de mama localmente avançado ou metastático.
O remédio é indicado para pacientes que já passaram por terapia endócrina (hormonioterapia) sem resposta satisfatória e deve ser utilizado em monoterapia, ou seja, sem associação com outros medicamentos.
Segundo a Anvisa, o tratamento é voltado para tumores resistentes à hormonioterapia, positivos para receptor de estrogênio (ER+), negativos para o receptor HER2 (HER2-) e que apresentam mutação no gene ESR1. De acordo com a Eli Lilly, essas alterações genéticas surgem ao longo do tratamento hormonal como mecanismo de resistência e tornam-se mais frequentes com a progressão da doença.
A farmacêutica informa que, entre pacientes com câncer de mama metastático que já receberam pelo menos uma linha de tratamento hormonal, as mutações ESR1 podem estar presentes em até metade dos casos de resistência ao tratamento, dependendo do tipo e do tempo de exposição à terapia anterior.
A aprovação do medicamento foi baseada nos resultados do estudo clínico Ember-3. Os dados mostraram que o Inluriyo reduziu em 38% o risco de progressão da doença ou morte quando comparado às terapias padrão. Entre pacientes com câncer de mama metastático e mutação ESR1, a sobrevida livre de progressão apresentou mediana de 5,5 meses, contra 3,8 meses observados com os tratamentos convencionais.
O câncer de mama é o tipo de tumor maligno mais frequente entre as mulheres brasileiras. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), foram estimados 73.610 novos casos da doença por ano no período de 2023 a 2025, representando cerca de 30,1% de todos os cânceres diagnosticados em mulheres no país.