A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início dos testes em humanos da Vivaxin, vacina desenvolvida por pesquisadores do Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O imunizante tem como objetivo combater a malária causada pelo parasita Plasmodium vivax, responsável pela maioria dos casos da doença registrados no Brasil.
De acordo com o Ministério da Saúde, a Vivaxin é a primeira vacina do mundo desenvolvida contra essa espécie do parasita. Em 2025, o país registrou 118.037 casos de malária, reforçando a importância de novas estratégias para prevenir a infecção.
A primeira fase dos ensaios clínicos avaliará a segurança da vacina e sua capacidade de estimular uma resposta imunológica. O estudo contará com 48 voluntários, com idades entre 18 e 59 anos, sem histórico de infecção pelo parasita. Os participantes serão acompanhados durante 360 dias.
O Ministério da Saúde prevê investir R$ 12 milhões nas três fases dos ensaios clínicos, que deverão avaliar progressivamente a segurança e a eficácia do imunizante.
Atualmente, as duas vacinas contra a malária disponíveis foram desenvolvidas para combater o Plasmodium falciparum, espécie predominante na África. Já o Plasmodium vivax é mais comum nas Américas e em partes da Ásia, o que torna o desenvolvimento de uma vacina específica especialmente relevante para o Brasil.
O projeto foi apresentado no dia 10 de outubro pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante visita ao CTVacinas, que integra o Centro Nacional de Vacinas (CNVacinas). Na ocasião, o ministério também anunciou a previsão de R$ 161,5 milhões em investimentos para projetos de vacinas e testes inovadores conduzidos pela unidade ou em parceria com outras instituições.
Além da Vivaxin, o centro desenvolve pesquisas para uma vacina terapêutica contra a doença de Chagas, um imunizante contra a mpox, uma vacina nasal contra a Covid-19 e testes rápidos para diagnóstico.
A autorização para os testes clínicos representa um avanço na pesquisa científica brasileira. No entanto, a vacina ainda precisará passar pelas etapas de avaliação antes de uma eventual aprovação para uso na população.