A Anvisa proibiu a importação, venda, distribuição e uso de canetas emagrecedoras vindas do Paraguai, intensificando o combate ao mercado irregular desses medicamentos no Brasil. A medida mais recente atingiu o Slimex, produto à base de tirzepatida — mesmo princípio ativo do Mounjaro — que estava prestes a ser lançado no país vizinho.
Segundo a agência, nenhum emagrecedor registrado pela Dinavisa, órgão regulador do Paraguai, poderá entrar no Brasil. Além da apreensão dos produtos, as restrições também atingem empresas, pessoas e até veículos de comunicação que divulguem os medicamentos.
A Anvisa afirma que monitora redes sociais e recebe informações de órgãos de fronteira para identificar novos produtos antes mesmo do lançamento. O presidente da agência, Leandro Safatle, disse que foram encontrados medicamentos sendo transportados irregularmente, inclusive escondidos em rodas de carros.
O mercado paralelo cresceu impulsionado pela alta procura por medicamentos para emagrecimento, como Ozempic e Mounjaro. Influenciadores digitais brasileiros e ações de marketing de laboratórios paraguaios ajudam a aumentar a demanda. Um dos exemplos foi o lançamento do Tirzedral, promovido em evento com show do cantor Zé Felipe.
Outro produto em desenvolvimento no Paraguai, o ReduFast, contém retratutida — substância ainda em fase de estudos e sem aprovação sanitária. A Anvisa também avalia endurecer as regras sobre medicamentos manipulados no Brasil, enquanto a Polícia Federal investiga farmácias suspeitas de produção irregular.
Dados da Receita Federal mostram o avanço do problema: em 2025, foram apreendidas 32,8 mil unidades de canetas irregulares, contra 2.700 no ano anterior. Nos últimos seis meses, ainda foram importados 130 kg de tirzepatida para manipulação, quantidade suficiente para milhões de doses.
A Anvisa alerta que os principais riscos envolvem contrabando, contaminação, perda de eficácia e ausência de garantia sobre composição e qualidade dos medicamentos.