Anvisa restringe emagrecedores manipulados e do Paraguai em meio a pressão política

A Anvisa intensificou ações contra canetas emagrecedoras irregulares, diante do aumento do consumo e da popularização nas redes sociais. O foco são produtos sem registro, muitas vezes mais baratos, mas com risco de falsificação, baixa qualidade e falta de comprovação de segurança, eficácia e boas práticas de fabricação.

Esses produtos formam um mercado paralelo aos medicamentos aprovados, como Ozempic e Mounjaro. A agência anunciou regras mais rígidas para farmácias de manipulação, exigindo insumos de fabricantes certificados (CBPF) e reforçando a necessidade de prescrição individual, após identificar produção em larga escala irregular.

A Polícia Federal investiga o setor e já realizou apreensões em diversos estados. Entidades médicas pedem a proibição total dessas canetas manipuladas, mas a Anvisa afirma que a prática é legal, desde que siga normas sanitárias.

Também foi proibida a importação, inclusive para uso pessoal, de produtos do Paraguai como Gluconex e Tirzedral. Esses medicamentos, promovidos por influenciadores, eram vendidos sem aprovação no Brasil.

Dados indicam crescimento do mercado ilegal: apreensões saltaram de 2.700 unidades em 2024 para 32,8 mil em 2025. Há ainda preocupação com insumos clandestinos, incluindo substâncias em estudo.

O tema gera pressão política: há demandas por acesso no SUS, propostas de quebra de patente e críticas às restrições. O governo aposta que a aprovação de novos medicamentos — incluindo 16 em análise com semaglutida — pode reduzir a busca por alternativas irregulares.

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Email