A Anvisa anunciou que vai endurecer as regras para conter irregularidades na produção de canetas emagrecedoras em farmácias de manipulação. A medida ocorre após a identificação de importações elevadas de tirzepatida — princípio ativo do Mounjaro — que somaram ao menos 100 kg entre novembro de 2025 e abril de 2026, volume considerado incompatível com o mercado nacional.
A agência pretende exigir maior controle sobre a importação do insumo, além de garantir que a fabricação só ocorra mediante prescrição médica individual. Entre as propostas estão a exigência de dados como CPF do paciente e CRM do médico, além da possível obrigatoriedade do Certificado de Boas Práticas de Fabricação (CBPF) também para insumos usados por farmácias de manipulação.
Embora a manipulação não seja ilegal, a legislação permite apenas produção em pequena escala e sob demanda específica. No entanto, investigações apontam fabricação em larga escala e venda para clínicas, o que é proibido. A situação levou a ações da Polícia Federal, como a Operação Slim, que identificou produção fora dos padrões sanitários.
A Anvisa também intensificou fiscalizações: em 2026, realizou 11 inspeções, fechou 8 empresas e apreendeu mais de 1,3 milhão de produtos irregulares. Foram detectados problemas como risco de contaminação e falhas no armazenamento e transporte.
Essas canetas são baseadas em agonistas de GLP-1, usados para controle de glicose e saciedade. Medicamentos industriais como Ozempic e Wegovy seguem padrões mais rigorosos.
O tema também envolve pressão por maior acesso e redução de preços. A Anvisa já acelerou a análise de novos medicamentos, e a quebra de patente da semaglutida no Brasil pode ampliar a concorrência no futuro.