A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) completou 60 anos com planos de ampliar sua estrutura e criar novos cursos, mas enfrenta desafios financeiros que podem influenciar o ritmo de crescimento da instituição.
Entre os projetos previstos estão a criação de uma Faculdade de Medicina em Piracicaba e de uma Faculdade de Direito em Campinas. A universidade também avança na implantação de graduações em áreas como inteligência artificial, ciência de dados e relações internacionais.
Segundo o reitor Paulo Cesar Montagner, conhecido como Cesinha, a expansão faz parte de um planejamento de longo prazo, que deve continuar nas próximas gestões. No entanto, a pressão sobre o orçamento é um dos principais obstáculos. Em 2025, a área da saúde consumiu cerca de R$ 1,1 bilhão, equivalente a aproximadamente 26% dos recursos da universidade.
Uma das propostas em discussão é transformar o complexo de saúde, que inclui o Hospital de Clínicas, em uma autarquia vinculada à Secretaria Estadual da Saúde. A medida foi aprovada pelo Conselho Universitário em dezembro de 2025, mas ainda depende do aval do governo paulista. O atendimento continuaria integralmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Outro ponto de preocupação é a reforma tributária, que prevê a substituição gradual do ICMS pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), com conclusão da transição em 2033. Atualmente, a Unicamp, a USP e a Unesp recebem uma parcela da arrecadação estadual do ICMS. A universidade busca garantir que esse modelo de financiamento seja preservado com as novas regras.
Apesar das incertezas, a instituição mantém os planos de crescimento. Em Limeira, estão previstos R$ 140 milhões em investimentos para integrar espaços acadêmicos e ampliar a infraestrutura, além da criação de um centro de pesquisa e práticas em saúde e esportes.
A estratégia, porém, gera debates internos. Parte da comunidade universitária defende que a expansão seja acompanhada de melhorias nos cursos e prédios existentes, além de investimentos em moradia estudantil. Estudantes e professores também cobram a conclusão de obras e a ampliação da estrutura do Instituto de Artes.
Fundada em 5 de outubro de 1966, a Unicamp reúne 37.874 estudantes de graduação e pós-graduação e conta com 1.770 docentes em atividade. Considerada uma das principais universidades do país, a instituição busca conciliar novos projetos, qualidade acadêmica e sustentabilidade financeira.