Apesar de o diabetes e a hipertensão serem apontados pelo Ministério da Saúde como os principais fatores de risco para a doença renal crônica, apenas 10% dos brasileiros sabem que o mau controle dessas condições pode comprometer os rins ou o coração. O dado é de pesquisa Datafolha encomendada pela AstraZeneca, realizada entre 8 e 12 de setembro de 2025 com 2.005 pessoas em 113 municípios do país.
Embora 99% dos entrevistados afirmem conhecer o diabetes, a maioria desconhece suas complicações. As mais lembradas foram amputações (27%) e perda da visão (23%). Segundo o endocrinologista Luis Henrique Canani, da Sociedade Brasileira de Diabetes, alterações na retina e nos rins costumam ocorrer de forma associada, mas os problemas renais chamam menos atenção por serem silenciosos e não apresentarem sintomas até estágios avançados.
O Ministério da Saúde estima que 6,7% dos adultos brasileiros tenham doença renal crônica, índice três vezes maior entre idosos. Já a hipertensão atinge 27,9% da população. A doença renal é caracterizada pela perda progressiva e irreversível da função dos rins, causada principalmente pelo diabetes e pela pressão alta, que lesionam vasos sanguíneos e filtros renais ao longo do tempo.
De acordo com o nefrologista Carlos Koga, do Hospital Israelita Albert Einstein, exames simples disponíveis no SUS — como creatinina no sangue e análise de urina — permitem diagnóstico precoce. Pessoas com diabetes e hipertensão devem realizá-los anualmente. No entanto, 31% dos entrevistados com essas condições afirmaram nunca ter recebido orientações médicas sobre prevenção.
Especialistas alertam que a prevenção depende do controle dos fatores de risco, como obesidade, sedentarismo, tabagismo e pressão alta. Mudanças no estilo de vida e novos medicamentos têm ampliado a capacidade de retardar a progressão da doença renal diabética, reduzir complicações cardiovasculares e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.