Após atrito, Flávio Bolsonaro já admite ausência de Michelle na campanha

Aliados de Michelle Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro avaliam que não há sinais de reconciliação entre os dois e consideram improvável que a ex-primeira-dama participe ativamente da pré-campanha presidencial do enteado.

Na última semana, Michelle comunicou ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que está cogitando não disputar uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal. Segundo relatos, a conversa foi tensa. Valdemar teria sugerido que ela alegasse estar emocionalmente abalada ao gravar um vídeo em que afirmou ter sido humilhada por Flávio, mas Michelle recusou a proposta, afirmando que refletiu e orou antes da gravação e que não se arrepende das declarações.

Pessoas próximas à família Bolsonaro afirmam que a relação entre Michelle e os filhos de Jair Bolsonaro sempre teve momentos de instabilidade, mas avaliam que uma reaproximação antes das eleições é pouco provável.

A tendência é que Michelle permaneça em silêncio durante a campanha, concentrando-se na família e nos cuidados com Jair Bolsonaro, que segue em prisão domiciliar por decisão do ministro Alexandre de Moraes.

Apesar disso, Valdemar Costa Neto reconhece a importância política da ex-primeira-dama e afirma que o partido fará esforços para tentar reaproximá-la da campanha.

Nos bastidores, aliados de Flávio dizem que ele continua disposto a restabelecer o diálogo. Já pessoas próximas de Michelle afirmam que ela não pretende fazer campanha contra o enteado nem apoiar adversários, mas também não deve participar diretamente da disputa.

Outro fator que amplia o desgaste é a avaliação de aliados da ex-primeira-dama de que ela perdeu espaço político dentro do PL, apesar de ser considerada uma das principais lideranças entre o eleitorado feminino e evangélico.

Pesquisa Genial/Quaest divulgada em junho mostrou que Flávio Bolsonaro enfrenta maior dificuldade entre as mulheres: enquanto registra 29% das intenções de voto no cenário geral, cai para 24% entre o eleitorado feminino, grupo no qual Michelle é vista como uma importante liderança política.

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