A escola de samba Acadêmicos de Niterói afirmou ter sofrido perseguição política após desfilar no Rio de Janeiro com enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em nota divulgada nesta segunda-feira (16), a agremiação declarou que houve “tentativa de interferência direta” em sua autonomia artística, com pedidos para alterar o enredo e a letra do samba, além de pressões de setores conservadores e de gestores do Carnaval carioca.
O desfile incluiu referências favoráveis a Lula, críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e menção ao impeachment de Dilma Rousseff, com representação do ex-presidente Michel Temer. A primeira-dama Rosângela da Silva (Janja) desistiu de participar para evitar questionamentos na Justiça Eleitoral.
Advogados ouvidos pela imprensa apontaram que a apresentação pode abrir margem para acusações de propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder. O partido Novo anunciou que pretende acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a inelegibilidade de Lula.
A escola rebateu as críticas, afirmou que não se curvou às pressões e disse esperar um julgamento “justo, técnico e transparente”. Temer, por sua vez, classificou o desfile como “bajulação”, mas defendeu a liberdade de expressão e a tradição da sátira política no Carnaval.