Argumentos de Flávio para pedir suspensão de pesquisa no TSE são frágeis, dizem especialistas

A pré-campanha de Flávio Bolsonaro acionou o TSE para pedir a suspensão da pesquisa Atlas/Bloomberg que aponta queda de seis pontos percentuais nas intenções de voto do senador em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o levantamento, Lula venceria por 48,9% a 41,8%.

A defesa de Flávio alega que a pesquisa teria caráter “manipulativo” por incluir perguntas sobre o Banco Master e mensagens trocadas entre o senador e Daniel Vorcaro antes de questões sobre rejeição e imagem pública, o que poderia influenciar os entrevistados.

Especialistas ouvidos pela Folha, no entanto, consideraram frágeis os argumentos apresentados pelo PL. O cientista político Antonio Lavareda afirmou que perguntas sobre rejeição não deveriam vir após temas que possam induzir respostas, classificando isso como um erro metodológico. Ainda assim, ele destacou que não vê problemas graves no restante do levantamento.

O estatístico Raphael Nishimura também fez ressalvas técnicas, principalmente sobre o formato online da pesquisa, em uma página rolável que permitiria ao entrevistado alterar respostas anteriores. Mesmo assim, ele afirmou não identificar infrações técnicas nos pontos questionados pelo partido.

A pesquisa ouviu 5.032 eleitores entre os dias 13 e 18 de maio, período em que vieram à tona diálogos entre Flávio e Vorcaro divulgados pelo Intercept Brasil. A rejeição do senador subiu de 49,8% em abril para 52% em maio. A margem de erro é de um ponto percentual.

O instituto Atlas defendeu a metodologia e afirmou que é comum inserir temas de grande repercussão antes de avaliações políticas para medir impactos na opinião pública, desde que não haja conteúdo persuasivo. Também informou que o formato do questionário online é usado para reduzir abandono e melhorar a experiência dos participantes.

Outro ponto questionado pela campanha de Flávio foi a divulgação de um áudio relacionado ao financiamento do filme “Dark Horse”. O PL alegou falta de comprovação de autenticidade, mas o instituto respondeu que o material já era público e que o sistema do TSE não permite anexar arquivos de áudio no registro da pesquisa.

Após a divulgação do conteúdo pelo Intercept, Flávio Bolsonaro não negou a autenticidade do áudio e confirmou ter mantido contato com o ex-dono do Banco Master.

 
 
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