Bolsonaro completa 6 meses preso com briga por sobrevivência do clã e em negociação por domiciliar

Jair Bolsonaro (PL) completa seis meses de prisão nesta quarta-feira (4) tentando recuperar a prisão domiciliar, perdida após violar a tornozeleira eletrônica em novembro. A decisão depende do ministro Alexandre de Moraes (STF), que inicialmente determinou a domiciliar em agosto, mas depois manteve o ex-presidente preso.

Aliados avaliam que Moraes não poderá adiar por muito mais tempo a transferência para casa, diante da idade de Bolsonaro (70 anos) e de seu estado de saúde, com tonturas, crises de soluço e cirurgias recentes. Uma ala do STF, antes resistente a esse argumento, passou a concordar com a possibilidade, o que aumentou o otimismo entre bolsonaristas. Eles defendem que a jurisprudência do Supremo garante a prisão domiciliar em casos semelhantes.

A principal aposta do grupo é um laudo médico solicitado por Moraes, que deve ser entregue nesta semana, para avaliar se Bolsonaro tem condições de continuar preso na Papudinha, unidade da PM próxima ao Complexo da Papuda, onde está desde o dia 15. Outro caminho seria a derrubada, no Congresso, do veto presidencial ao PL da Dosimetria, que reduziria a pena e facilitaria a progressão de regime, embora ainda não haja previsão para a análise do veto.

A expectativa pela domiciliar também é atribuída a articulações de Michelle Bolsonaro e do governador Tarcísio de Freitas junto a ministros do STF. A transferência da PF para a Papudinha foi vista como vitória política do grupo, mas gerou disputas internas sobre a sucessão presidencial, com Bolsonaro consolidando a indicação do senador Flávio Bolsonaro.

Aliados reconhecem que a prisão limita a atuação política do ex-presidente, mas há quem veja efeito eleitoral positivo na vitimização. Visitantes relatam saúde fragilizada, tonturas e abalo emocional. Relatório da PM aponta rotina com caminhadas, visitas restritas, atendimento médico e fisioterapia, sem leitura de livros, que poderia reduzir a pena.

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