Brasil ganhou 9 milhões de novos inadimplentes desde o fim do Desenrola

Quase dois anos após o fim do programa Desenrola, criado pelo governo federal em 2023 para renegociação de dívidas, o Brasil voltou a registrar forte alta na inadimplência. Atualmente, cerca de 81,7 milhões de pessoas estão com contas em atraso — o maior nível desde 2012, após o acréscimo de aproximadamente 9 milhões de novos inadimplentes no período.

O Desenrola teve duração de cerca de 10 meses e conseguiu reduzir temporariamente a inadimplência, principalmente entre a população de baixa renda. No entanto, especialistas avaliam que o programa teve efeito paliativo, sem atacar as causas estruturais do endividamento. Com o fim da iniciativa, o problema voltou a crescer, impulsionado por fatores como juros elevados, oferta agressiva de crédito — especialmente digital — e aumento das apostas online.

Atualmente, a inadimplência nas carteiras de crédito das pessoas físicas chegou a 5,24%, maior patamar em 14 anos. As principais dívidas estão concentradas em cartões de crédito (26,7%), contas básicas (21,3%) e financeiras (20,3%).

O programa também enfrentou dificuldades operacionais, como barreiras de acesso à plataforma digital, o que limitou sua adesão. Ao todo, 15 milhões de pessoas renegociaram cerca de R$ 53,2 bilhões — número abaixo da expectativa inicial de até 30 milhões de beneficiados.

Diante do cenário, o governo estuda lançar uma nova versão do programa, com foco em dívidas mais caras e possibilidade de descontos de até 80%. Entre as medidas em análise estão exigências como cursos de educação financeira e restrições ao uso de apostas.

Especialistas alertam que, sem mudanças estruturais — como maior controle na concessão de crédito e políticas de educação financeira —, uma nova iniciativa pode repetir os mesmos efeitos temporários observados anteriormente.

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