Brasil registra o menor número de nascimentos desde 1976, segundo IBGE

O Brasil teve, em 2023, o menor número de nascimentos desde 1976, com 2.518.039 registros. O dado é do IBGE e representa o quinto ano seguido de queda, com recuo de 0,8% em relação a 2022. A tendência acompanha um movimento global de queda na natalidade e reflete mudanças no comportamento das famílias.

O perfil das mães também mudou:

  • Em 2023, 39% das mulheres que deram à luz tinham mais de 30 anos.

  • Em 2003, esse percentual era de 23,9%.

  • as mães adolescentes (até 19 anos) representavam 11,8% dos nascimentos em 2023 — contra 20,9% 20 anos.

A redução dos nascimentos está ligada a fatores como a postergação da maternidade, menor número de filhos por família e mudanças sociais e econômicas. O IBGE projeta que a população brasileira começará a encolher a partir de 2042, após atingir o pico de 220 milhões em 2041.

Apesar da queda nacional, o Centro-Oeste foi a única região com aumento de nascimentos (+1,1%). Estados como Tocantins (+3,4%), Goiás (+2,8%) e Roraima (+1,9%) puxaram esse crescimento. A região também liderou em aumento de casamentos.

O estudo também revela um desafio na estrutura hospitalar: em cidades com mais de 500 mil habitantes, 10,2% das mães precisaram dar à luz em municípios vizinhos por falta de atendimento. Em Aparecida de Goiânia, esse índice chegou a 80,8%.

Óbitos também caíram em 2023: foram 1,6 milhão de registros — 5% a menos que em 2022, em grande parte devido ao fim da pandemia. A maior redução foi entre idosos com 80 anos ou mais (-7,9%). Ainda assim, o número segue acima do patamar pré-Covid.

Diferenças regionais:

  • No Norte, 18,7% das mães tinham até 19 anos; o Acre lidera com 21,4%.

  • O Distrito Federal teve a maior proporção de mães com 30 anos ou mais: 49,4%, seguido por RS e SP (44,3%).

Os dados indicam uma mudança importante no padrão demográfico do país, com impacto direto no planejamento de políticas públicas.

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