s críticas públicas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro a Flávio Bolsonaro geraram preocupação entre aliados do senador e mobilizaram esforços para reduzir os impactos na pré-campanha presidencial do PL, especialmente junto ao eleitorado feminino. Michelle afirmou ter sido desrespeitada, humilhada e desencorajada a participar das decisões políticas após discordâncias sobre a aliança do partido com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará.
Os vídeos divulgados por Michelle surpreenderam aliados de Flávio, que inicialmente temeram prejuízos à campanha. Apesar disso, integrantes do PL avaliam que o episódio dificilmente afastará de forma definitiva os eleitores bolsonaristas, apostando que eventuais perdas no primeiro turno seriam recuperadas em uma possível segunda etapa da eleição.
Após minimizar o caso em um primeiro momento, Flávio negou ter ofendido Michelle e pediu desculpas caso tenha causado qualquer desconforto. Michelle, por sua vez, afirmou que não guarda ressentimentos e declarou que seu objetivo foi esclarecer fatos que estariam sendo distorcidos, reforçando a necessidade de união para derrotar o governo atual.
Mesmo antes da crise, Flávio já havia decidido indicar uma mulher como candidata a vice-presidente, estratégia vista como importante para fortalecer sua imagem entre o eleitorado feminino. Entre os nomes cotados estão as deputadas Julia Zanatta e Bia Kicis, além da ex-presidente da Caixa Daniella Marques. Simone Marquetto também segue sendo considerada, embora o episódio tenha aumentado a cautela de possíveis aliados.
Segundo pessoas próximas a Michelle, ela decidiu tornar o conflito público após suportar, por meses, ataques, acusações e informações falsas direcionadas a ela e à filha Laura. Seu irmão, Eduardo Torres, afirmou que Michelle revelou apenas parte do que vinha enfrentando.
Flávio rebateu as acusações, negando qualquer atitude desrespeitosa e destacando seu histórico familiar. Também afirmou ter tentado contato com Michelle diversas vezes, inclusive convidando-a para um encontro com lideranças femininas. A campanha pretende realizar reuniões com mulheres do partido para ouvir propostas e reforçar a aproximação com esse segmento do eleitorado.