Receber o diagnóstico de câncer em um animal de estimação é uma notícia que abala qualquer tutor. Além do impacto emocional, surgem muitas dúvidas sobre como lidar com o tratamento e garantir bem-estar ao bichinho. Segundo a Veterinary Cancer Society, dos Estados Unidos, cerca de um em cada quatro cães desenvolve câncer ao longo da vida – o que reforça a importância de acompanhamento veterinário constante.
Nos últimos anos, a oncologia veterinária avançou muito e a quimioterapia passou a ser uma alternativa importante. De acordo com o médico-veterinário Nazilton de Paula Reis Filho, responsável pelo setor de oncologia do centro veterinário Nouvet, em São Paulo, a técnica pode prolongar a vida e proporcionar mais qualidade ao animal.
O tratamento é indicado quando não há possibilidade de cirurgia, quando o tumor não responde à radioterapia ou ainda como medida preventiva após a retirada cirúrgica do câncer.
Ao contrário do que muitos pensam, cães e gatos costumam tolerar bem a quimioterapia. Sintomas como vômito, diarreia ou apatia podem ocorrer, mas tendem a ser leves e passageiros. Ainda assim, se persistirem por mais de 24 horas, o tutor deve procurar o veterinário. Algumas medidas simples ajudam a reduzir o desconforto, como oferecer alimentos mais atrativos, como ração úmida, caldo de carne sem tempero ou pequenas porções de sorvete de creme sem açúcar, podem aliviar a náusea.
Em casos de vômito, recomenda-se suspender comida e água por algumas horas antes de reintroduzi-los gradualmente. Já a hidratação com água de coco pode ser útil quando há diarreia, ajudando a repor líquidos e sais minerais. Sobre a queda de pelos, o especialista lembra que é um efeito raro e reversível. “Os pelos voltam a crescer após o fim do tratamento”, garante Nazilton.
Apesar do tratamento, a rotina do animal não precisa mudar completamente. Passeios são permitidos, mas devem ser feitos com cautela e evitando contato com outros bichos. Os banhos também estão liberados, desde que em casa.
Já cruzamentos não são recomendados. A higiene exige atenção especial nos cinco dias seguintes à quimioterapia. O tutor deve usar luvas ao recolher fezes e urina do pet, além de manter o ambiente limpo e descontaminado.
Os remédios quimioterápicos exigem cuidados específicos. Devem ser guardados em recipiente plástico fechado, na geladeira e longe de alimentos.
O tutor deve manipulá-los apenas com luvas, sem abrir cápsulas ou alterar doses por conta própria. Gestantes e pessoas com doenças autoimunes não devem ter contato com a medicação.
Cada caso tem um protocolo diferente. Exames de sangue e consultas periódicas são indispensáveis. O tutor deve ficar atento a sinais como apatia severa, recusa de alimento por mais de 24 horas ou episódios repetidos de vômito e diarreia – todos exigem retorno imediato ao veterinário.
Nazilton reforça que, embora seja uma fase desafiadora, a quimioterapia pode ser enfrentada com atenção e afeto.
“É uma jornada de cuidado, mas com acompanhamento especializado, dedicação do tutor e muito carinho, é possível oferecer ao pet qualidade de vida durante o tratamento”.