Canetas emagrecedoras podem atrasar ação de anticoncepcionais e outros remédios

Medicamentos agonistas do GLP-1, como semaglutida (Ozempic e Wegovy), liraglutida (Saxenda) e tirzepatida (Mounjaro), podem interferir na absorção de remédios administrados por via oral, entre eles anticoncepcionais, analgésicos e anticoagulantes. A interferência não reduz a quantidade total absorvida, mas pode atrasar o início da ação, devido à diminuição do esvaziamento do estômago.

O tema ganhou destaque após a ex-BBB Laís Caldas relatar uma gravidez enquanto utilizava Mounjaro em conjunto com anticoncepcional oral, chamando atenção para possíveis interações entre as chamadas “canetas emagrecedoras” e medicamentos em comprimidos.

Segundo especialistas, os agonistas do GLP-1 fazem o organismo reagir como se estivesse constantemente alimentado, aumentando a saciedade e retardando o esvaziamento gástrico. Com isso, os comprimidos permanecem mais tempo no trato gastrointestinal, o que pode atrasar o efeito de medicamentos que exigem ação rápida.

Estudos mais consistentes envolvem a tirzepatida. Pesquisa publicada na revista Diabetes, Obesity and Metabolism mostrou redução de cerca de 50% no pico de concentração do paracetamol e atraso de aproximadamente uma hora no início do efeito. Já para a semaglutida e a liraglutida, não há evidências clínicas robustas de impacto relevante na absorção de medicamentos.

No caso dos anticoncepcionais orais, esse atraso inicial pode reduzir a segurança do método, especialmente nas primeiras semanas de uso da tirzepatida ou durante ajustes de dose. Por isso, a Febrasgo recomenda que usuárias de tirzepatida optem por métodos contraceptivos que não dependam da absorção intestinal, como DIU, métodos hormonais não orais ou preservativos.

A federação também alerta que efeitos adversos como vômitos e diarreia, comuns no início do tratamento, podem comprometer a eficácia das pílulas. Além disso, a perda de peso associada ao uso desses medicamentos pode aumentar a fertilidade, favorecendo gestações não planejadas.

Diante da falta de dados sobre segurança na gravidez, a orientação é suspender o uso imediatamente em caso de gestação e interromper o tratamento de um a dois meses antes em gestações planejadas, sempre com acompanhamento médico.

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