Canetas emagrecedoras podem ter efeito anti-inflamatório?

Medicamentos como semaglutida e tirzepatida já são conhecidos pelo controle da glicemia e pela capacidade de promover perda de peso. Agora, pesquisas indicam que esses remédios também podem reduzir marcadores de inflamação no organismo. A dúvida é se esse efeito ocorre diretamente pela ação dos medicamentos ou se é consequência, principalmente, do emagrecimento e da melhora metabólica.

Um dos principais indicadores estudados é a proteína C-reativa ultrassensível (PCRus), relacionada ao risco cardiovascular. No estudo SELECT, com cerca de 17,6 mil pessoas com sobrepeso ou obesidade e doença cardiovascular, a semaglutida reduziu a PCRus em aproximadamente 38% em comparação ao placebo após 104 semanas.

A queda do marcador começou nas primeiras semanas, quando a perda de peso ainda era pequena. O resultado levantou a possibilidade de que os medicamentos tenham algum efeito adicional sobre processos inflamatórios. No entanto, isso ainda não está comprovado.

A obesidade, especialmente quando há excesso de gordura visceral, está associada à inflamação crônica de baixo grau. Com a perda de peso, a redução da gordura visceral e a melhora da resistência à insulina, é esperado que parte desse processo inflamatório diminua.

Os efeitos também estão sendo investigados em doenças específicas. Na MASH, uma forma de doença hepática associada à gordura, inflamação e lesão do fígado, estudos com semaglutida mostraram melhora da esteato-hepatite em parte dos pacientes.

Pesquisas também avaliam possíveis benefícios em doenças como psoríase, artrite psoriásica e doenças inflamatórias intestinais. No caso da psoríase, estudos com tirzepatida associada a outro medicamento apresentaram melhora, mas não permitem concluir que a tirzepatida isoladamente seja um tratamento para a doença.

Especialistas ressaltam que inflamação não é necessariamente algo ruim: ela faz parte da defesa e da regeneração dos tecidos. O problema é quando permanece excessivamente ativada por longos períodos.

Assim, embora os resultados sejam promissores, ainda não é possível afirmar que semaglutida ou tirzepatida sejam medicamentos anti-inflamatórios propriamente ditos. São necessários estudos específicos para determinar se existe uma ação direta sobre o sistema imunológico e qual seria sua relevância clínica.

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