O consumo excessivo de alimentos gordurosos e bebidas alcoólicas, comum nas ceias de fim de ano, aliado à falha no uso regular de medicamentos, cria um cenário propício para a chamada Síndrome do Coração de Feriado. Especialistas alertam que o período entre o Natal e o Réveillon registra aumento de até 37% nas internações por infarto, inclusive entre pessoas sem diagnóstico prévio de doenças cardíacas.
A síndrome está associada principalmente ao consumo exagerado de álcool em curto prazo, podendo desencadear arritmias, como a fibrilação atrial. Estudos internacionais indicam que o risco de infarto na véspera de Natal é significativamente maior do que em outras datas, especialmente à noite, afetando com mais intensidade idosos, diabéticos e pessoas com doença coronariana.
Os fatores que explicam esse aumento incluem estresse emocional, excesso alimentar, ingestão elevada de álcool, calor intenso e alterações na rotina. Diferentemente de outras datas comemorativas, como a Páscoa, o Natal apresenta um padrão consistente de crescimento nos eventos cardiovasculares.
Especialistas reforçam que pacientes com doenças cardíacas devem manter rigorosamente o uso das medicações e evitar excessos. O álcool interfere no sistema elétrico do coração e no equilíbrio de eletrólitos, enquanto refeições ricas em gorduras saturadas e sal elevam a pressão arterial e a inflamação.
Diretrizes atualizadas da Sociedade Brasileira de Cardiologia indicam limites mais rígidos para colesterol e pressão arterial, exigindo maior atenção nesse período. A Organização Mundial da Saúde e a American Heart Association alertam que não há nível seguro para o consumo de álcool, especialmente em grandes quantidades e em curto espaço de tempo.
A recomendação médica inclui moderação no consumo de álcool, evitar energéticos, priorizar alimentos mais leves, manter boa hidratação, sono adequado, atividade física regular e monitorar pressão arterial e frequência cardíaca, reduzindo assim os riscos cardiovasculares durante as festas de fim de ano.