A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) comunicou neste domingo (14) à Câmara dos Deputados a decisão de renunciar ao mandato. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), informou que dará posse ao suplente Adilson Barroso (PL-SP). A renúncia foi resultado de uma saída negociada com a cúpula da Câmara após a rejeição, pelo plenário, da cassação da parlamentar, apesar de condenação criminal imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Na última sexta-feira (12), o STF determinou que Motta declarasse a perda do mandato de Zambelli, entendimento que entrou em choque com a decisão do plenário da Câmara, que, na madrugada de quinta-feira (11), havia mantido o cargo da deputada. A votação contrariou o parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que recomendava a cassação, inclusive com apoio de parlamentares do centrão, e foi interpretada como uma derrota política para o presidente da Casa.
Inicialmente, Motta havia sinalizado que cumpriria imediatamente a decisão do STF, mas recuou após pressão do PL e encaminhou o caso à CCJ. A Suprema Corte, porém, afirmou que a Câmara era obrigada a homologar a perda do mandato, colocando o presidente da Casa diante do risco de descumprimento de ordem judicial. A decisão foi tomada em liminar pelo ministro Alexandre de Moraes, que classificou a votação da Câmara como inconstitucional e marcada por desvio de finalidade. O entendimento foi ratificado pela Primeira Turma do STF, com votos de Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.
Zambelli foi condenada em maio à perda do mandato e a dez anos de prisão por participação na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em conjunto com o hacker Walter Delgatti Neto. Após a condenação, ela fugiu para a Itália, onde permanece presa.