Cartões de loja facilitam a compra, mas aumentam risco de endividamento

É comum ser abordado por vendedores oferecendo cartões de loja em supermercados e redes de vestuário, geralmente com promessas de descontos ou parcelamentos exclusivos. Esses cartões, chamados private label, são emitidos por financeiras das próprias redes varejistas com o objetivo de fidelizar o cliente. Alguns funcionam somente nas lojas da marca, outros, com bandeiras como Visa ou Mastercard, podem ser usados em qualquer estabelecimento.

Apesar dos atrativos, os custos desses cartões são altos. Os juros do parcelamento, em média, superam os de cartões tradicionais. Em junho, o juro anual médio do parcelado era de 182,5%, enquanto o do crédito rotativo chegava a 441,4% ao ano. Em caso de atraso, a maioria cobra multa de 2%, juros de mora de 1% ao mês e IOF.

Algumas redes, como Riachuelo e Renner, chegam a cobrar até 18,9% de juros ao mês no parcelamento. O CET (Custo Efetivo Total) é elevado, mesmo com a norma do Banco Central que limita os encargos totais a no máximo o dobro da dívida original.

A economista Ione Amorim alerta que o uso desses cartões pode levar ao endividamento, especialmente se o consumidor continuar comprando enquanto ainda paga faturas anteriores. Ela orienta a avaliar bem as condições e verificar se há cobranças embutidas, como anuidade ou seguros.

Entre os principais cartões, há variações nos custos e benefícios. Riachuelo, Renner, Magalu, Americanas, Carrefour, Assaí, Extra e Pão de Açúcar oferecem vantagens como descontos e parcelamentos, mas com taxas de juros elevadas e diferentes políticas de anuidade e saque. Muitas lojas não deixam claras as condições no momento da oferta.

Portanto, o cartão de loja pode ser uma porta de entrada para crédito, mas requer uso consciente e análise detalhada dos custos. Em caso de cobranças indevidas, o consumidor pode acionar a financeira, o Procon ou o Banco Central.

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