O presidente do São Paulo, Julio Casares, intensificou articulações políticas internas diante do avanço de um pedido de impeachment contra sua gestão. Nos últimos dias, ele passou a se reunir com grupos considerados estratégicos do Conselho Deliberativo e da estrutura associativa, com o objetivo de esclarecer acusações e reduzir resistências ao seu comando.
O movimento ocorre após o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres de Abreu Júnior, encaminhar o pedido de afastamento ao Conselho Consultivo, etapa preliminar antes da análise formal pelo Conselho Deliberativo, onde Casares poderá apresentar sua defesa. O Conselho Consultivo é formado por presidentes e ex-presidentes do clube e tem função apenas opinativa, sem poder de veto.
O pedido de impeachment foi protocolado em 23 de dezembro de 2025, com 57 assinaturas — acima do mínimo de 50 exigidas. Há ainda a possibilidade de que cerca de 22 conselheiros da própria Coalizão, grupo que sustenta politicamente Casares, se somem ao processo. Com isso, iniciou-se o prazo legal para a convocação de uma reunião extraordinária do Conselho Deliberativo.
As acusações incluem suposta má gestão orçamentária, venda de jogadores por valores abaixo do mercado e uso irregular de camarote. Para o afastamento provisório do presidente, é necessário o apoio de dois terços dos conselheiros, o equivalente a 171 votos. Caso aprovado, o vice-presidente Harry Massis Júnior assumiria interinamente. A decisão ainda precisaria ser ratificada em Assembleia Geral de sócios, por maioria simples.
Paralelamente, Casares tenta recuperar apoio político e agendou encontros individuais com os seis grupos que compõem a Coalizão. A estratégia busca recompor alianças após desgastes recentes, especialmente em razão do escândalo envolvendo o uso de camarote, que ainda gera insatisfação interna no clube.