Chocolate, queijo, azeite e molho de tomate podem ficar mais baratos com acordo entre UE e Mercosul

O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, aprovado na sexta-feira (9) pelos países europeus, prevê a redução gradual de tarifas de importação e deve tornar mais baratos no Brasil diversos produtos europeus amplamente consumidos, como chocolates, queijos, azeites, molhos de tomate, vinhos, manteiga e frutas.

Os chocolates europeus, atualmente taxados em 20%, terão isenção total a partir do décimo ano de vigência do tratado, embora o cronograma de cortes comece já no primeiro ano. O mesmo prazo valerá para os queijos, hoje tributados em 16%, com isenção limitada a uma cota anual de 30 mil toneladas para todo o Mercosul; a mozarela, no entanto, seguirá com alíquota de 28%. Os azeites, atualmente taxados em 10%, terão a alíquota zerada no 15º ano, com reduções progressivas desde o início do acordo. O impacto tende a ser relevante, já que quase todo o azeite consumido no Brasil é importado, principalmente de Portugal.

Molhos de tomate europeus, especialmente os italianos, terão a tarifa de 18% eliminada em dez anos. O kiwi importado da União Europeia, por sua vez, terá isenção integral já no primeiro ano de vigência. Os vinhos europeus, hoje taxados entre 20% e 27%, terão as alíquotas zeradas entre o oitavo e o décimo ano, dependendo do tipo; alguns vinhos brancos terão isenção imediata. A manteiga europeia também ficará mais barata, com redução inicial de 30% sobre a alíquota atual de 16%.

No Brasil, entidades empresariais celebraram o acordo. O agronegócio deve ser o principal beneficiado, com eliminação das tarifas de importação para 77% dos produtos agropecuários exportados do Mercosul para a União Europeia, incluindo carnes suína e de frango, açúcar, carne bovina e óleos vegetais. Simulações do Ipea indicam que, até 2040, as exportações de carnes suína e de aves ao bloco europeu podem crescer 19,7%.

A ABPA avaliou o acordo como um avanço para o comércio bilateral, enquanto a CNI destacou o fortalecimento da inserção internacional do Brasil e o reconhecimento mútuo de indicações geográficas, que pode ampliar oportunidades para produtos nacionais no mercado europeu.

 
 
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