O interior do estado de São Paulo enfrenta uma situação crítica com índices de umidade do ar tão baixos que chegam a ficar abaixo dos registrados em desertos como o Saara. Em cidades como Descalvado e Bragança Paulista, os níveis chegaram a 4% e 4,3%, respectivamente, enquanto em municípios como Itapira, Tupã, Jales e Marília a variação ficou entre 5% e 12%. Para se ter uma ideia, o deserto do Saara costuma registrar entre 14% e 20% de umidade, o que significa que parte do interior paulista apresenta condições ainda mais severas que as de regiões desérticas.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), índices inferiores a 12% já são considerados críticos para a saúde, trazendo riscos como agravamento de doenças respiratórias, crises de asma, bronquite, irritação nos olhos e na garganta, além do ressecamento da pele. Além dos efeitos diretos à saúde da população, o ar extremamente seco aumenta a probabilidade de incêndios florestais, já que a vegetação e o solo, desidratados, tornam-se altamente inflamáveis.
Diante desse cenário, a Defesa Civil emitiu alertas para diversos municípios paulistas, classificando a situação como grave. Cidades com índices entre 13% e 29% também foram incluídas nos comunicados oficiais e a população tem recebido avisos por SMS sobre os cuidados necessários. Entre as orientações, estão manter a hidratação constante, evitar atividades físicas em horários de maior calor, usar soro fisiológico para olhos e narinas e umidificar os ambientes.
Especialistas apontam que a estiagem mais intensa, aliada às altas temperaturas, tem favorecido a rápida evaporação e contribuído para a queda drástica da umidade relativa do ar. A ausência de chuvas também agrava o quadro, deixando o solo e a atmosfera cada vez mais secos. A tendência é de que, enquanto não houver mudanças climáticas significativas, a situação continue exigindo atenção redobrada da população e das autoridades.