Clubes da elite do futebol brasileiro discutem medidas conjuntas contra os impactos da medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que determinou o fim da operação das casas de apostas no país.
Entre as possibilidades debatidas está a paralisação do Campeonato Brasileiro, medida considerada extrema pelos dirigentes. A última interrupção do torneio ocorreu em 2020, durante a pandemia de Covid-19.
A mobilização ganhou força antes de uma reunião entre representantes dos clubes e o governo federal, intermediada pela CBF. O encontro, previsto para esta terça-feira (29), acabou cancelado diante da possibilidade de boicote dos clubes.
Os dirigentes defendem a criação de um período de transição antes do encerramento das bets. Segundo eles, uma mudança imediata pode afetar os contratos de patrocínio e comprometer o planejamento financeiro dos clubes para 2026 e 2027.
Outra proposta discutida é a criação de uma linha de crédito com juros reduzidos. Os clubes, porém, avaliam que a medida não seria suficiente para compensar, de forma imediata, a perda das receitas provenientes das empresas de apostas.
O impacto financeiro é relevante. De acordo com levantamento da consultoria Convocados, os patrocínios de casas de apostas aos clubes da Série A somaram cerca de R$ 1,03 bilhão em 2025, contra R$ 618 milhões no ano anterior.
A possível paralisação também busca pressionar a CBF a participar mais ativamente das negociações com o governo. A entidade possui contrato de patrocínio com a Betano e, até o momento, tem evitado se posicionar publicamente sobre a medida provisória.
A CBF informou anteriormente que foi procurada pelo governo para intermediar as conversas com clubes das Séries A, B, C e D.