Com El Niño, oceanos batem recorde de temperatura em julho

Superfície dos mares registra segundo mês consecutivo de marcas históricas

Os oceanos registraram em julho o segundo mês consecutivo de temperatura recorde, segundo relatório mensal do Copernicus, serviço climático da União Europeia. A superfície marítima chegou a 20,96°C, em um cenário influenciado pelo El Niño, fenômeno natural que deve intensificar as anomalias climáticas nos próximos meses.

O calor foi especialmente intenso no Pacífico tropical, região onde o El Niño se manifesta. Na Europa, as altas temperaturas dos oceanos contribuíram para ondas de calor marítimo no Atlântico e no Mediterrâneo, afetando comunidades costeiras e ecossistemas.

O calor também atingiu a atmosfera. No oeste europeu, a temperatura média chegou a 21,62°C, cerca de 2,79°C acima da média de referência. Países como Inglaterra, Irlanda, Espanha e França enfrentaram um verão excepcionalmente quente. Na França, julho foi considerado o mês mais quente desde o início das medições, em 1900.

A Europa também sofre com uma seca severa, que afeta países como Itália, Suíça e Alemanha. Rios importantes, entre eles Sena, Reno e Danúbio, apresentam níveis muito baixos, prejudicando transporte, agricultura e comércio.

Segundo cientistas, as mudanças climáticas provocadas principalmente pela queima de combustíveis fósseis são o principal fator por trás do aumento das ondas de calor. O aquecimento dos oceanos contribui para agravar esse cenário.

Em escala global, julho de 2026 registrou 16,9°C, cerca de 1,47°C acima da média do período pré-industrial. O resultado iguala estatisticamente a segunda maior marca para julho, atrás apenas de 2023.

Na América do Sul, o Copernicus apontou condições de seca em partes da Argentina, Uruguai e Bolívia. No Brasil, o Sul apresentou umidade acima da média, com tempestades e tornados no Rio Grande do Sul associados por meteorologistas à influência do El Niño.

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Email