Com PCC e CV na mira, Trump bate recorde de designações terroristas

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atua contra a possibilidade de os Estados Unidos classificarem facções brasileiras como terroristas. A medida vem sendo avaliada pela gestão de Donald Trump, que desde seu retorno à Casa Branca ampliou o número de organizações enquadradas nessa categoria.

Desde 2025, Trump já designou 27 grupos como terroristas — o maior número desde a criação da lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO), em 1997, durante o governo de Bill Clinton. Entre os alvos recentes, cresce o foco sobre organizações da América Latina ligadas ao tráfico de drogas.

Nesse contexto, facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) passaram a ser analisadas. A classificação permitiria aos EUA bloquear ativos, restringir entrada de membros no país e ampliar sanções contra apoiadores.

Especialistas apontam que a legislação americana possui critérios amplos para definir terrorismo, o que abre espaço para enquadrar grupos do crime organizado. Para o ex-embaixador John Feeley, essa interpretação vem sendo expandida pela atual gestão, incluindo organizações que não têm motivação política ou religiosa, como tradicionalmente ocorre em casos de terrorismo.

Ele destaca que, embora a medida amplie instrumentos legais, seus efeitos práticos são limitados, já que muitos desses mecanismos já são aplicados contra criminosos internacionais. Ainda assim, há preocupação de que a classificação possa justificar ações mais duras, inclusive de caráter militar.

O analista Douglas Farah alerta que o aumento indiscriminado dessas designações pode enfraquecer o próprio conceito de terrorismo. Segundo ele, a estratégia pode atender a objetivos políticos e abrir espaço para intervenções mais agressivas, sem necessariamente fortalecer a capacidade de combate ao crime organizado.

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