A política migratória do presidente argentino Javier Milei está cada vez mais rigorosa, e o número de estrangeiros impedidos de entrar no país vem aumentando. O caso do jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr., barrado em Buenos Aires na segunda-feira (12), é um exemplo dos efeitos das novas medidas.
Tomaz foi impedido de entrar na Argentina após permanecer mais de um ano fora do país, em desacordo com as regras de seu visto de residência permanente, obtido em 2022. Além de ter a entrada negada, ele recebeu uma proibição de reingresso por cinco anos. O jornalista suspeita de motivação política, pois seu visto havia sido revogado em agosto, após ataques de perfis de ultradireita nas redes sociais.
Desde que assumiu, em dezembro de 2023, Milei endureceu as regras migratórias por meio de decretos. Em maio de 2025, uma mudança na legislação estabeleceu que pessoas expulsas da Argentina ficam proibidas de retornar por pelo menos cinco anos, mesmo quando a medida não está relacionada à prática de um crime.
Dados da Comissão Argentina para Refugiados e Migrantes (Caref), com base em registros oficiais, mostram que 15,8 mil estrangeiros foram barrados em 2024. Em 2025, o total subiu para 16,7 mil. Apenas no primeiro semestre de 2026, foram registrados mais de 10 mil impedimentos de entrada.
Também aumentou o número de casos classificados como de “falsos turistas”, expressão usada para pessoas suspeitas de entrar no país como visitantes, mas com intenção de permanecer. A categoria passou de 8% dos barramentos em 2023 para 41% em 2025. Nos primeiros seis meses de 2026, representou cerca de 40% das ocorrências.
As expulsões de estrangeiros que já vivem no país também cresceram: passaram de 475, em 2022, para 920, em 2025.
Especialistas apontam que a política migratória argentina tem sido conduzida sob uma perspectiva de segurança, frequentemente associando imigração à criminalidade. Em julho de 2026, outro decreto passou a permitir a expulsão ou a proibição de entrada de pessoas acusadas de discurso de ódio contra argentinos ou de incitar violência.
Até o momento, não há registros públicos de aplicação dessa norma, inclusive no caso do jornalista brasileiro. Para especialistas, porém, o endurecimento das regras pode gerar medo e autocensura entre estrangeiros, com possíveis impactos sobre a liberdade de expressão.