Congresso mais à direita ameaça governabilidade de Lula, e Senado se torna principal desafio

Reeleito presidente neste domingo (25), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá pela frente um Congresso Nacional mais alinhado à direita, cenário que pode dificultar a aprovação de projetos e a articulação política durante o quarto mandato.

O PL ampliou sua presença na Câmara dos Deputados e, principalmente, no Senado, onde terá as maiores bancadas das duas Casas. Ao lado do Novo, o partido reunirá 131 deputados federais, o equivalente a 25% da Câmara, e 32 senadores, cerca de 39% do total.

Apesar do avanço da direita, a governabilidade dependerá da capacidade do governo de construir alianças. A estratégia de Lula deverá envolver negociações com partidos do centrão, distribuição de ministérios e liberação de emendas parlamentares, além da busca por apoio para comandar as duas Casas legislativas.

O primeiro grande desafio ocorrerá em 1º de fevereiro de 2027, quando deputados e senadores escolherão seus presidentes. No Senado, Lula deverá trabalhar pela reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), embora a oposição também articule candidaturas, como as de Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS).

O comando do Senado é estratégico porque permite definir a pauta de votações, abrir CPIs e conduzir a análise de indicações presidenciais para tribunais, embaixadas e outros órgãos. Uma presidência alinhada à oposição poderia ampliar os obstáculos para o governo.

Na Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) aparece em posição mais favorável à reeleição, com apoio de partidos do centrão e aproximação recente com o PT. Ainda assim, a relação com Lula tem sido marcada por divergências e disputas políticas.

A composição da base governista dependerá das negociações conduzidas durante a transição para o novo mandato. Mesmo com alianças, o presidente poderá enfrentar dificuldades para aprovar propostas que exigem maioria qualificada, como mudanças na Constituição.

O novo Congresso também deverá discutir temas como reforma do Judiciário, regulação da inteligência artificial, redução da maioridade penal, proibição das apostas esportivas e medidas de ajuste fiscal.

O perfil dos eleitos reforça o desafio: segundo levantamento citado pela Folha de S.Paulo, 59% dos deputados eleitos são de partidos de direita. No Senado, a proporção chega a 64%, enquanto a renovação alcança 74% das cadeiras em disputa.

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