Corte italiana rejeita pedido de Carla Zambelli para trocar juízes que vão analisar extradição

A Corte de Apelação de Roma rejeitou, nesta terça-feira (10), o pedido da defesa da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP) para substituir o colegiado responsável por analisar seu processo de extradição ao Brasil. Com a decisão, o julgamento será retomado nesta quarta-feira (11), em audiência marcada para as 10h no horário local (6h de Brasília).

O pedido de troca dos magistrados foi analisado pela 1ª seção penal da corte, enquanto o processo de extradição segue sob responsabilidade da 4ª seção penal. A defesa ainda pode recorrer à Corte de Cassação, última instância do Judiciário italiano.

A solicitação surgiu após o adiamento da sessão de 20 de janeiro, quando o tribunal alegou falta de tempo para avaliar requerimentos apresentados pelos advogados de Zambelli. Entre os pedidos estava a oitiva de Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes no TSE, além de acesso a informações sobre o presídio Colmeia, no Distrito Federal, e a documentos sob sigilo do julgamento no Brasil.

A defesa interpretou o adiamento como rejeição às demandas e classificou os juízes como “hostis”, formalizando o pedido de substituição. O advogado Alessandro Gentiloni, que representa o Brasil por meio da AGU, afirmou que não havia fundamento para a troca e considerou a iniciativa uma tentativa de ganhar tempo.

Detida há seis meses na Itália, após dois meses foragida, Zambelli participou da audiência por videoconferência do presídio de Rebibbia. O julgamento já foi adiado três vezes desde novembro.

Condenada no Brasil a dez anos de prisão pela invasão ao sistema do CNJ e emissão de mandado falso contra Moraes, além de mais cinco anos por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, Zambelli alega perseguição política. Caso seja extraditada, o tempo de prisão na Itália será abatido da pena. A decisão final caberá ao governo italiano, após eventuais recursos.

 
 
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