O presidente argentino Javier Milei passou a primeira parte de seu governo criticando duramente o Mercosul, chegando a comparar o bloco a uma “cortina de ferro” e afirmando que suas regras impediam negociações de interesse nacional. Nesse contexto, Milei recebeu com entusiasmo, e considerou uma vitória pessoal, a decisão dos países da União Europeia de dar sinal verde ao acordo de livre comércio com o Mercosul, após mais de 25 anos de negociações.
Em publicação no X, Milei escreveu que “as boas notícias continuam”, ao comentar a comemoração do chanceler argentino, Pablo Quirno, sobre o acesso preferencial das economias sul-americanas a um mercado de centenas de milhões de consumidores. A Casa Rosada avalia que o pacto representa um avanço estratégico para a Argentina, com potencial para abrir novos mercados e atrair investimentos europeus, especialmente nos setores de agronegócio, mineração e energia.
Atualmente, a presença dos produtos argentinos na União Europeia é relativamente pequena — em 2024, apenas cerca de 3% das importações agroindustriais do bloco eram de origem argentina — e o governo busca ampliar as exportações de commodities tradicionais como soja, carnes e vinhos. O acordo também inclui um capítulo sanitário que pode fornecer um ambiente mais previsível para o comércio agroindustrial, algo que interessa particularmente aos exportadores do país.
A União Europeia concordou ainda em manter diálogo sobre biotecnologia e segurança alimentar e inseriu compromissos em temas trabalhistas e ambientais. As novas regras eliminam tarifas para a maior parte das exportações do Mercosul, o que foi destacado por Quirno como uma “oportunidade significativa” para a Argentina.
O próximo desafio para Milei, segundo analistas, é aprofundar os laços comerciais com os Estados Unidos, alinhando a Argentina com Washington em questões internacionais, incluindo a operação de prisão de Nicolás Maduro na Venezuela e a doutrina Trump para a América Latina.
O presidente paraguaio Santiago Peña também saudou o acordo como uma enorme oportunidade para o Mercosul, destacando a competitividade do Paraguai na produção de grãos e carnes e o interesse de investidores internacionais no país.
O Uruguai, por sua vez, pressionou historicamente por maior abertura comercial do bloco e anunciou que seu Parlamento pretende ratificar rapidamente o acordo, embora ressalte que só se deve comemorar após sua implementação final.