A defesa de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, acionou a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, ligada à Organização dos Estados Americanos (OEA), em mais uma tentativa de questionar sua prisão preventiva. Os advogados também solicitaram uma audiência com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, prevista para esta terça-feira (3).
Segundo os representantes do ex-banqueiro, a iniciativa internacional não tem como objetivo discutir as acusações da investigação, mas questionar supostas violações de direitos e buscar uma decisão sobre a liberdade de Vorcaro em prazo considerado razoável.
Entre os argumentos apresentados pela defesa estão a manutenção da prisão sem denúncia formal da Procuradoria-Geral da República (PGR), a permanência do processo no STF, apesar de Vorcaro não possuir foro privilegiado, e a divulgação de conversas extraídas de seu celular pela Polícia Federal.
Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, quando tentava deixar o país, mas acabou sendo solto naquele mesmo mês. Em março de 2026, voltou à prisão por determinação do ministro André Mendonça, do STF.
Em setembro, Fachin assumiu temporariamente a condução dos processos relacionados ao Banco Master e suspendeu novas decisões de Mendonça. A mudança ocorreu após a Polícia Federal produzir um relatório sobre as relações de Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes.
Na semana passada, Fachin determinou que o caso permanecesse sob responsabilidade da Presidência do Supremo provisoriamente, inclusive para análise de medidas urgentes, como a revisão das prisões preventivas.
A defesa, entretanto, afirma que o pedido de liberdade apresentado em 18 de setembro continua sem decisão.
O caso ganhou novos desdobramentos após a Polícia Federal indiciar Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e outras 13 pessoas por suspeitas de crimes financeiros envolvendo a negociação de carteiras de crédito com o banco estatal de Brasília.
Os advogados classificaram o relatório policial como precipitado e afirmaram que ele apresenta conclusões antes do encerramento das investigações.