Deolane abriu 35 empresas em endereço de casa popular, aponta investigação

A influenciadora Deolane Bezerra foi presa nesta quinta-feira (21) durante uma investigação que apura um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. Segundo a Polícia Civil, ela teria aberto 35 empresas em um mesmo endereço em Martinópolis, no interior de São Paulo, onde funcionava uma casa popular. Apesar de a prática não ser ilegal, investigadores apontam que a concentração de empresas pode indicar tentativa de ocultar movimentações financeiras.

Além dos registros em Martinópolis, Deolane também mantinha empresas em cidades como Santo Anastácio e Ribeirão Preto. Para o promotor Lincoln Gakiya, o caso evidencia o que chamou de “pejotização do crime organizado”, com o uso de empresas para lavar dinheiro de facções criminosas.

As investigações apontam que o esquema movimentava recursos por meio de empresas de eventos, publicidade, câmbio e seguros, dificultando o rastreamento da origem do dinheiro. A polícia afirma que a influenciadora recebeu repasses de uma transportadora apontada como peça central do esquema, sem comprovação de prestação de serviços.

Segundo os investigadores, a popularidade de Deolane ajudava a misturar ganhos legais, vindos de publicidade e redes sociais, com valores suspeitos. A polícia também afirma já ter identificado outras ligações entre a influenciadora e integrantes do PCC, mas não divulgou detalhes.

A defesa informou que ainda não teve acesso ao processo, que corre em segredo de Justiça. Nas redes sociais, Deolane afirmou ser vítima de perseguição e negou qualquer envolvimento com crimes.

A operação, batizada de “Integration”, foi iniciada em abril de 2023 e cumpriu 19 mandados de prisão e 24 de busca e apreensão em diversos estados. Também houve bloqueio de R$ 2,1 bilhões em ativos financeiros, além do sequestro de carros de luxo, imóveis, aeronaves e embarcações.

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