Desconforto após tomar leite nem sempre é intolerância à lactose; entenda as possíveis causas

Sentir gases, estufamento, dor abdominal ou diarreia depois de consumir leite não significa, necessariamente, que a pessoa tenha intolerância à lactose. Especialistas alertam que esses sintomas podem estar relacionados a diferentes condições, como alergia à proteína do leite de vaca (APLV), sensibilidade a componentes da proteína do leite ou até outros distúrbios digestivos.

Segundo o gastroenterologista Leandro Gonzales, é comum que pacientes associem qualquer desconforto ao consumo de leite à intolerância à lactose, mas essa conclusão sem avaliação médica pode ser equivocada. Fatores como a quantidade ingerida, o teor de gordura do alimento, a velocidade da digestão e até alterações intestinais podem provocar sintomas semelhantes.

Além disso, retirar leite e derivados da alimentação por conta própria pode causar deficiências nutricicionais e atrasar o diagnóstico da verdadeira causa do problema.

A alergia à proteína do leite de vaca é diferente da intolerância à lactose. Enquanto a intolerância ocorre pela falta da enzima lactase, responsável por digerir o açúcar do leite, a alergia envolve uma reação do sistema imunológico às proteínas presentes no alimento. Nesse caso, produtos sem lactose não resolvem o problema, pois continuam contendo as proteínas do leite.

Outra hipótese estudada por pesquisadores envolve a proteína beta-caseína A1. Durante sua digestão, pode ser formado o peptídeo BCM-7, que, em algumas pessoas, está associado ao desconforto digestivo. Por isso, algumas pessoas relatam melhor adaptação ao leite A2, produzido por vacas que sintetizam apenas a proteína beta-caseína A2, reduzindo a formação desse composto.

Apesar dos relatos positivos, especialistas ressaltam que o leite A2 não é uma solução para todos os casos. A escolha do produto deve ser feita somente após avaliação profissional e identificação da causa dos sintomas.

Estudos também apontam que muitas pessoas acreditam ter alergia alimentar sem confirmação clínica. O diagnóstico deve ser baseado no histórico do paciente, exames específicos e, quando necessário, testes de provocação realizados sob acompanhamento médico.

A orientação dos especialistas é evitar o autodiagnóstico e buscar avaliação médica sempre que houver desconforto recorrente após o consumo de leite. Com o diagnóstico correto, é possível definir o tratamento mais adequado e, em muitos casos, manter o consumo de lácteos de forma segura.

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