Desemprego na mínima ofusca desperdício de mão de obra ainda em dois dígitos

A taxa de desemprego no Brasil atingiu o menor nível da série histórica, mas o cenário não elimina os desafios estruturais do mercado de trabalho. Embora a desocupação tenha recuado para 5,1% no trimestre encerrado em dezembro, a taxa de subutilização — indicador mais amplo — permaneceu em 13,4%, mesmo sendo a menor já registrada.

Os dados são da Pnad Contínua, do IBGE. Diferentemente da taxa de desemprego, que considera apenas quem está sem trabalho e procura vaga, a subutilização inclui também trabalhadores que atuam menos horas do que gostariam e pessoas que desistiram de buscar emprego, como os desalentados.

Ao todo, 15,3 milhões de brasileiros com 14 anos ou mais estão subutilizados dentro de uma força de trabalho ampliada de 113,8 milhões. Desse total, 5,5 milhões são desempregados, 4,5 milhões estão subocupados por insuficiência de horas e 5,3 milhões integram a chamada força de trabalho potencial.

Especialistas avaliam que o indicador revela questões estruturais, como informalidade elevada e baixa produtividade média. Durante a pandemia, em 2020, a subutilização chegou a superar 30%. Apesar da queda recente, o percentual ainda é considerado alto por permanecer em dois dígitos.

As desigualdades regionais seguem marcantes. No quarto trimestre de 2025, o Nordeste registrou a maior taxa, com 22,6%, seguido pelo Norte, com 15,7%. No Sul, o índice foi de 7,2%. Estados nordestinos concentraram os maiores percentuais, enquanto unidades do Sul, Sudeste e Centro-Oeste apresentaram índices abaixo de 10%.

Para analistas, a redução do desemprego é positiva, mas pode mascarar problemas mais profundos na estrutura do mercado de trabalho brasileiro, exigindo políticas voltadas à qualificação profissional e à geração de empregos de maior qualidade.

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Email