Formas e riscos das hepatites virais
As hepatites virais, dependendo do tipo, podem se apresentar de forma aguda, como é o caso da hepatite A, comum em crianças. A transmissão ocorre, principalmente, pelo consumo de água ou alimentos contaminados, além de estar relacionada à dificuldade de acesso a medidas adequadas de higiene e ao saneamento básico.
As hepatites B e C, por sua vez, podem se tornar crônicas. O tipo B pode ser transmitido por contato sexual, de mãe para filho e pelo contato com sangue contaminado. O tipo C ocorre também pelo contato com sangue contaminado.
“Quando crônicas, essas infecções podem causar inflamações prolongadas, aumentando o risco de cirrose e câncer no fígado se não forem tratadas ou acompanhadas. O paciente com comprometimento hepático pode ter complicações como sangramento digestivo, acúmulo de líquidos e até confusão mental”, alerta Dra. Flávia.
A intensidade da inflamação pode causar mal-estar, cansaço, enjoos, vômitos e dores no corpo. Também podem ocorrer pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras. “Nas hepatites crônicas, especialmente B e C, a inflamação costuma evoluir ao longo dos anos e a maioria dos pacientes não apresenta sintomas. Quando os sinais aparecem, significa que o fígado já está com o funcionamento comprometido”, explica a infectologista do HSV.
De acordo com a cartilha “ABCDE das Hepatites Virais”, divulgada pelo Ministério da Saúde em 2024, os casos de hepatite A são confirmados por exames de sangue, além dos sintomas clínicos. O tratamento deve sempre ser orientado por um profissional de saúde.
Para os tipos B e C, existem testes rápidos, feitos a partir de uma gota de sangue. Em caso positivo, outros exames clínicos são feitos para avaliar as melhores estratégias para o tratamento ou acompanhamento.
“O tratamento medicamentoso para os portadores do vírus tipo B, quando indicado, pode durar a vida toda e o acompanhamento deve ser feito a cada seis meses. É possível que haja a eliminação do microrganismo, porém em pequena porcentagem. O tratamento para o tipo C é curto, de cerca de três meses, e cura em 97% dos casos. Com ele, apesar da eliminação do vírus, não há reversão dos danos no fígado”, pontua Dra. Flávia.
A principal maneira de prevenir os tipos A e B da doença é pela vacinação, disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). Já para o tipo C, é recomendado fazer o teste pelo menos uma vez na vida.