Discord cita TikTok e Telegram como plataformas onde caso teria sido articulado

Empresa afirma que atividades podem ter sido articuladas fora da plataforma; TikTok nega ter encontrado sinais de coordenação

BRASÍLIA, DF — O Discord afirmou ao governo federal que há indícios de que os atos que culminaram na morte de uma adolescente de 13 anos tenham sido articulados previamente ou de forma paralela em outras plataformas, especialmente Telegram e TikTok.

Segundo a empresa, interações realizadas fora do Discord podem ajudar a explicar por que seus sistemas de segurança não identificaram o risco imediatamente. A companhia afirmou que a menção às outras plataformas busca reconstruir a cronologia do caso e esclarecer quais sinais estavam disponíveis antes do episódio.

O TikTok, porém, nega ter identificado qualquer atividade de coordenação relacionada ao caso. Em nota, a empresa disse ter realizado buscas sobre o episódio e não ter encontrado indícios de articulação ou de redirecionamento de usuários por meio da rede social. O Telegram não se manifestou.

A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou, na quarta-feira (12), que o Discord suspenda as transmissões ao vivo na plataforma. A decisão ocorreu após o caso da adolescente, que teria sido induzida por outros jovens à automutilação e ao suicídio, com cenas transmitidas pelo serviço.

O Discord informou que a atividade criminosa teria sido coordenada em outras plataformas antes da criação do servidor envolvido no episódio e continuado nesses ambientes após usuários serem banidos.

Em documento enviado ao governo, a empresa também reconheceu que havia sinais de risco na transmissão, mas afirmou que eles não foram suficientes para acionar seu sistema de alerta. A transmissão recebeu pontuação de risco de 0,12, enquanto o limite para identificação automatizada seria de 0,95.

A empresa disse que o resultado está sendo reavaliado para aperfeiçoar seus mecanismos de detecção. Já a ANPD concluiu que o Discord não possui ferramentas suficientes para análise de conteúdo e identificação de violações em tempo real.

Para a agência, o caso revela uma falha grave no sistema de segurança, já que uma situação envolvendo risco de automutilação ou morte de adolescente recebeu uma classificação de risco considerada baixa. A nota técnica também afirma que o temor de falsos positivos não pode justificar uma falha na identificação de situações graves.

Segundo o Discord, um órgão de segurança comunicou a empresa sobre o caso por volta das 3h50. Menos de 25 minutos depois, o servidor da transmissão foi removido.

A morte da adolescente ocorreu em 22 de julho e provocou repercussão política. O episódio ganhou ainda mais destaque após a primeira-dama Janja Lula da Silva defender a retirada do Discord do ar.

O caso ampliou o debate sobre a responsabilidade das plataformas digitais na proteção de crianças e adolescentes e sobre a capacidade dos sistemas automatizados de identificar situações de risco que podem envolver diferentes redes sociais simultaneamente.

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