Do primeiro atendimento ao plano terapêutico: entenda como funciona o fluxo de crianças no Centro Integrado Girassóis

Meu filho apresenta sinais de alguma neurodivergência. Onde devo procurar ajuda? Como é feita a avaliação? E, se houver um diagnóstico, quais serão os próximos passos? Para as famílias que vivem esse processo, o recém-inaugurado Centro Integrado Girassóis passa a concentrar em um mesmo espaço diferentes etapas do cuidado às crianças neurodivergentes em Jundiaí.

A porta de entrada continua sendo aquela que a família já conhece: a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou Clínica da Família de referência. É lá que começa a avaliação e, diante da suspeita de alguma alteração no neurodesenvolvimento, a criança é encaminhada para o atendimento especializado.

Neste primeiro momento, o Girassóis atende crianças de 6 a 8 anos – faixa etária que poderá ser ampliada futuramente. Crianças fora desse recorte seguem para os demais serviços da rede, de acordo com o fluxo estabelecido pelo município, incluindo a APAE.

“Esse é um serviço muito esperado pelas famílias atípicas de Jundiaí. O que antes estava distribuído em diferentes pontos da rede passa a contar com um espaço pensado justamente para integrar profissionais, agilizar o cuidado e, principalmente, acolher a criança e sua família durante todo esse processo”, afirma o prefeito Gustavo Martinelli.

Como funciona a avaliação?

Após o encaminhamento, a criança, entre 6 e 8 anos com suspeita sugerida pela unidade de saúde, entra na fila do Girassóis e a própria equipe entra em contato com a família para iniciar o processo. A primeira etapa reúne oito atendimentos: quatro com neuropsicóloga, dois com fonoaudióloga e dois com terapeuta ocupacional.

Os profissionais avaliam diferentes aspectos do desenvolvimento e registram suas conclusões em relatórios. Ao final desse ciclo, a criança passa por consulta médica, quando todo o material produzido pela equipe é analisado para a conclusão diagnóstica, que pode confirmar ou não condições como Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) ou outras alterações do neurodesenvolvimento.

A expectativa é que esse processo seja concluído entre oito e 12 semanas, conforme as necessidades e os critérios clínicos de cada caso.

Se a neurodivergência for confirmada, começa uma nova etapa: a construção de um plano terapêutico individualizado, de acordo com suas principais necessidades e com o acompanhamento que for mais adequado para a criança.

O Girassóis reúne neuropediatria, psiquiatria infantil, fonoaudiologia, psicologia, neuropsicologia, psicopedagogia, fisioterapia, terapia ocupacional, assistência social e odontopediatria. Em funcionamento pleno, a capacidade será de aproximadamente 1.000 atendimentos por mês.

Apesar da agilidade e otimização dos atendimentos em um único local, identificar uma neurodivergência exige um olhar global para a criança, considerando não apenas seu comportamento durante a consulta, seu desenvolvimento e comunicação, mas também aprendizagem, rotina e contexto familiar e social.

“Não buscamos simplesmente chegar a um diagnóstico mais rápido, mas oferecer um processo organizado e cuidadoso. Uma mesma característica pode ter diferentes explicações, por isso precisamos conhecer a história daquela criança, ouvi-la e ouvir a família, observar diferentes áreas do desenvolvimento e reunir o olhar dos profissionais antes de chegar a uma conclusão”, explica a gerente do Centro Integrado Girassóis, Gabriela Tripicchio.

Inaugurado em setembro pela Prefeitura de Jundiaí, o Centro Integrado Girassóis fica na Rua Areias, 22, na Vila Aparecida, e integra uma estratégia mais ampla do município para ampliar e integrar o cuidado às crianças neurodivergentes e suas famílias.

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