Documentário resgata memórias de ex-operários e revela o “lado humano” da industrialização de Jundiaí

Com pré-estreia gratuita no dia 29 de maio, “Memórias Operárias” traz relatos inéditos de
quem vivenciou a transformação da cidade sob a ótica da solidariedade e da coletividade.
Como era o cotidiano de quem trabalhava nas primeiras fábricas de Jundiaí no final do século XIX
até meados do século XX? Para responder a essa pergunta e resgatar vivências que a história
oficial muitas vezes silenciou, o cinema do Espaço Expressa recebe, no dia 29 de maio
(sexta-feira), às 19h, a pré-estreia gratuita do documentário “Memórias Operárias”.
Com direção da cineasta e fotógrafa Alessandra Haro, o filme mergulha na trajetória iniciada com
a chegada da ferrovia em 1867 e a instalação da primeira fábrica em 1896. O filme se destaca por
inverter a lógica das narrativas tradicionais: em vez de focar apenas no desenvolvimento
empresarial, o olhar se volta para as pessoas operárias, especialmente para as mulheres, que
compunham a maior parte da mão de obra fabril da época.
A História Não Contada de Jundiaí

Quando as antigas máquinas silenciam, o que resta é o humano. “Memórias Operárias” mergulha
no cotidiano das primeiras fábricas de Jundiaí para resgatar uma narrativa que permaneceu
décadas preservada na memória oral da cidade. Fruto de uma intensa pesquisa de campo de dois
meses, que contou com o apoio fundamental do Arquivo Histórico Municipal e colheu o depoimento
de dezenas de pessoas, o documentário inverte a lógica tradicional da história local ao amplificar os
relatos e as vivências de quem foi uma grande força motriz da cidade.
Entre o som das tecelagens e o silêncio das vilas, o filme revela uma rede de organização social
surpreendente e laços de resistência que desafiaram a estrutura da época. Ao mergulhar em
documentos e depoimentos que permaneciam à margem da cronologia oficial, a obra traz à tona
evidências de uma mobilização robusta, que serviu de base para um dos marcos mais importantes,
e pouco falados, do movimento trabalhista brasileiro, ocorrido em solo jundiaiense em 1906.
Ao expor esses fatos históricos desconhecidos pela maioria, o filme reconecta o público com uma

Jundiaí invisível, onde a solidariedade e a consciência comum foram capazes de moldar o destino
do trabalho no Brasil. É um encontro emocionante com a identidade de quem construiu o futuro
com as próprias mãos, devolvendo o protagonismo da história à força coletiva daqueles que
operaram as máquinas e forjaram a alma da cidade.
O coração do documentário são os relatos sensíveis de Aparecida Glória Fernandes França,
José Carlos Medeiros, Sonia Henrique e Romualdo Russo. São pessoas que vivenciaram o
cotidiano das fábricas ou que guardam as memórias herdadas de suas mães, pais e avós. A obra
conta ainda com a análise histórica do professor Alexandre Oliveira e percorre espaços de
sociabilidade fundamentais como o Clube 28 de Setembro, ponto de encontro e suporte para a
comunidade negra e trabalhadora.
“O filme nasce da necessidade de reconhecer histórias que são a base de Jundiaí. Queremos honrar a
sabedoria desses entrevistados, que guardam a memória viva de seus antepassados. É uma obra sobre
pessoas e sobre como a força coletiva construiu nossa cidade.” — Alessandra Haro, diretora.

Sinopse Curta
O que os livros oficiais não contam, a memória preserva. Entre o som das tecelagens e o silêncio
das vilas, Memórias Operárias revela os marcos desconhecidos de uma mobilização que desafiou
as estruturas da época e transformou o destino do trabalho no Brasil.
Biografia da Diretora
Alessandra Haro é cineasta, fotógrafa e educadora com uma trajetória de 30 anos no setor
cultural. Mestre em Projetos Artísticos pela Universidad Europea de Madrid e pós-graduada em
Antropologia Visual (UCAM), sua carreira é marcada pela união entre o rigor técnico e o impacto
social. Com experiência em mais de 40 filmes, Alessandra integrou equipes de obras premiadas
como o longa-metragem “Estômago” e a série “O Mundo de Jacquin” (Fox), além de assinar a
direção, fotografia e montagem de documentários recentes como “Um Olhar Arretado sobre Várzea
Paulista” e “Vivências da Capoeira”.
Com uma sólida carreira docente de mais de duas décadas, foi professora da Academia
Internacional de Cinema por 13 anos e colaborou com o programa Imagens em Movimento,
coordenado pela Cinemateca Francesa. Atualmente, é presidente e co-fundadora do Instituto
Mulungu, onde lidera projetos de democratização do cinema para jovens em vulnerabilidade social.
Como fotógrafa autoral, realizou diversas exposições pelo Brasil, sempre buscando um olhar que
transcende as bolhas sociais para resgatar histórias e identidades latentes.

Serviço

Evento
Pré-estreia do documentário “Memórias Operárias”
Data e Hora
29 de maio (Sexta-feira), às 19h
Local
Sala de Cinema São Paulo-Minas (Espaço Expressa)
Av. União dos Ferroviários, 1760 – Jundiaí/SP
Ingressos
Gratuitos (Classificação Livre)
OBS: O acesso à sala está sujeito à lotação máxima do espaço.
Equipe Principal
Direção, Produção Executiva e Montagem: Alessandra Haro
Pesquisa: Karina Barros e Joy Marques
Produção: Jeni Alves, Ana Lucia Gagliardo Moraes, Joy Marques
Fotografia e Som: Marcelo Silva

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