Relatórios da Polícia Federal enviados ao Supremo Tribunal Federal indicam que Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master, teria sido informado antecipadamente sobre a investigação que resultou em sua prisão, em novembro de 2025.
Segundo os investigadores, mensagens, anotações e movimentações registradas no celular de Vorcaro mostram que ele teve acesso a informações reservadas nas semanas que antecederam a operação.
Em 21 de outubro, quatro dias após uma reunião sigilosa entre PF e Banco Central sobre o caso, Vorcaro anotou os nomes de delegados, agentes e procuradores envolvidos na apuração. Dias depois, registrou que havia recebido informações de pessoas do Banco Central consideradas por ele fontes confiáveis.
A PF também identificou uma anotação feita em 16 de novembro, um dia antes da operação, na qual Vorcaro questionava sobre a proximidade de um interlocutor com o juiz responsável pelas medidas sigilosas do processo.
Na manhã de 17 de novembro, mensagens do advogado Walfrido Warde foram seguidas por uma mudança nos planos do banqueiro. Ele passou a organizar uma viagem internacional. No mesmo dia, o site O Bastidor publicou uma reportagem sobre a existência de um inquérito contra o Banco Master.
De acordo com a investigação, Vorcaro teria ainda articulado uma reunião de emergência com integrantes do Banco Central para apresentar a suposta venda do banco ao Grupo Fictor. Durante a reunião, afirmou que precisaria viajar a Dubai para tratar da operação.
Para a PF, porém, o encontro teria sido organizado às pressas para criar uma justificativa formal para sua saída do Brasil.
Vorcaro acabou preso na noite daquele mesmo dia, no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), enquanto se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta. A operação prosseguiu no dia seguinte, com o cumprimento dos demais mandados.
Os documentos também apontam que Vorcaro chegou a questionar o ministro Alexandre de Moraes, do STF, sobre a possibilidade de deixar o país antes da prisão.