Estudo da Universidade Federal do Triângulo Mineiro aponta crescimento das internações e mortes causadas por doenças hepáticas relacionadas ao consumo de álcool no Brasil entre 2000 e 2022. Com base em dados do SUS, a pesquisa identificou 344 mil internações e 214 mil mortes por doença hepática alcoólica no período.
Segundo o levantamento, todas as regiões do país registraram aumento nos casos, com destaque para Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O Norte apresentou o maior crescimento anual tanto nas internações quanto nas mortes. Já o Sul concentra as maiores taxas proporcionais de internação e mortalidade acima da média nacional.
Especialistas alertam que o consumo abusivo de álcool no Brasil é frequente e muitas vezes subestimado. A doença hepática alcoólica inclui gordura no fígado, hepatite alcoólica e cirrose, sendo hoje a principal causa de cirrose no país e no mundo ocidental.
Homens representam a maioria dos casos e mortes, principalmente entre 40 e 59 anos. O estudo também aponta impacto maior entre pessoas com baixa escolaridade e dificuldades de acesso ao sistema de saúde, especialmente em regiões mais vulneráveis.
Médicos destacam que o fígado é um órgão silencioso e que muitos pacientes chegam ao atendimento já em estágio avançado da doença. Cerca de 90% dos usuários crônicos de álcool desenvolvem algum grau de gordura no fígado, e até 20% podem evoluir para quadros graves, como cirrose e hepatite alcoólica.
Os pesquisadores defendem investimentos em políticas públicas voltadas à prevenção do consumo abusivo de álcool, ampliação do diagnóstico precoce e fortalecimento do atendimento para grupos mais vulneráveis.