Dois novos pacientes entram para lista de casos de remissão do HIV no mundo

Dois novos casos de pessoas consideradas em remissão prolongada do HIV serão apresentados durante a Conferência Internacional de Aids, realizada no Rio de Janeiro. Com os novos registros, chega a 13 o número de pacientes no mundo que conseguiram controlar o vírus sem o uso contínuo de medicamentos após um transplante de células-tronco.

Os pacientes, identificados como “Ascent” e “Kansas City”, terão seus casos detalhados em uma sessão científica nesta quarta-feira (29). O anúncio foi antecipado pelo imunologista Christian Gaebler, da Charité Universitätsmedizin Berlin, que classificou os resultados como um avanço importante para as pesquisas em busca da cura do HIV.

Apesar da relevância das descobertas, especialistas reforçam que o transplante de células-tronco não é um tratamento indicado para pessoas que vivem com HIV. Todos os pacientes considerados curados ou em remissão também enfrentavam leucemia ou outro tipo de câncer hematológico, condição que exigia o transplante de medula óssea, procedimento complexo e de alto risco.

Os primeiros casos apontavam que a mutação genética CCR5-delta32, capaz de dificultar a entrada do vírus nas células de defesa, seria essencial para alcançar a remissão. No entanto, estudos mais recentes mostram que outros mecanismos do sistema imunológico também podem desempenhar papel decisivo no controle da infecção.

Pesquisadores identificaram, por exemplo, respostas imunológicas capazes de eliminar células infectadas e reduzir os chamados reservatórios virais, considerados um dos maiores obstáculos para a cura definitiva do HIV.

Além dos transplantes, cientistas investigam alternativas que possam beneficiar um número maior de pessoas, como terapias com anticorpos amplamente neutralizantes, edição genética e tratamentos com células CAR-T. Estudos iniciais já demonstram que parte dos pacientes consegue manter o vírus sob controle mesmo após a interrupção supervisionada da terapia antirretroviral, embora as pesquisas ainda estejam em fase experimental.

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