Dose única contra a dengue

A recente aprovação pela Anvisa da primeira vacina 100% nacional e de dose única contra a dengue — a Butantan-DV — representa um marco histórico para a saúde pública do Brasil.

Em 2025, as cidades da RPT (Região do Polo Têxtil) viveram uma explosão assustadora de casos da doença: foram 32.484 infecções confirmadas nos cinco municípios — 9.037 em Americana, 9.890 em Santa Bárbara, 863 em Nova Odessa, 5.713 em Sumaré e 6.981 em Hortolândia. Infelizmente, esse surto cobrou um preço alto: 81 vidas perdidas, sendo 29 desses óbitos somente em Americana.

É nesse contexto que a chegada da Butantan-DV, indicada para o público de 12 a 59 anos, aparece como uma luz no fim do túnel. Produzida pelo Instituto Butantan, com tecnologia nacional e com eficácia global de 74,7% contra doenças sintomáticas — e 91,6% contra formas graves —, ela será ofertada gratuitamente pelo SUS, favorecendo a equidade no acesso. Além disso, o fato de ser dose única — algo inédito no mundo para a dengue — facilita a logística e amplia as chances de alta cobertura vacinal.

Mas é fundamental reforçar: a vacina não é uma autorização para baixar a guarda. Com a chegada do período mais chuvoso neste fim de 2025 e início de 2026, a proliferação do Aedes aegypti tende a aumentar, e a prevenção continua sendo uma responsabilidade coletiva. Eliminar água parada, manter calhas limpas, tampar caixas d’água, descartar corretamente recipientes e monitorar quintais são atitudes simples que salvam vidas.

A Butantan-DV é um avanço gigantesco, mas não substitui a vigilância diária. A experiência amarga deste ano mostrou que o mosquito encontra brechas onde a população relaxa. Se queremos que 2026 seja diferente, vacina e conscientização precisam caminhar juntas. Só assim a RPT poderá, enfim, reduzir o número de casos que, ano após ano, sobrecarregam os serviços de saúde.

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