A taxa de reprovação do presidente Donald Trump subiu para 51%, segundo pesquisa recente da Reuters/Ipsos, refletindo o crescente descontentamento dos norte-americanos com sua política econômica. Entre os principais fatores que impulsionaram esse aumento estão as novas tarifas sobre importações e a preocupação com a inflação.
Na última semana, além de enfrentar críticas por suas políticas econômicas, o presidente norte-americano se envolveu em polêmica ao chamar o líder da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, de ditador. A fala veio após a recusa do ucraniano em vender terras ricas em minerais aos EUA. O clima tenso entre os líderes, intensificado por Trump, é visto com preocupação por outras potências, o que contribui para desgastar a a reputação do republicano.
O estudo aponta que a aprovação de Trump caiu para 44%, enquanto o índice de reprovação, que era de 45% no início do mês, passou dos 50%. A economia se tornou o principal motivo de insatisfação, com a desaprovação na gestão econômica chegando a 53%.
Especialistas apontam que as tarifas de 25% sobre aço e alumínio, uma das principais medidas da administração Trump, devem aumentar os custos de produção e ser repassadas ao consumidor. Além disso, a volatilidade no mercado financeiro e a incerteza sobre os rumos da política monetária também têm afetado a confiança dos eleitores.
As tarifas sobre importações têm sido um dos pilares da política econômica de Trump, visando proteger a indústria nacional e estimular a produção interna. No entanto, especialistas alertam que essas medidas podem ter efeitos colaterais negativos. César Bergo, economista e professor da Universidade de Brasília (UnB), explica que o aumento dos custos de insumos como aço e alumínio pode levar ao repasse de preços para o consumidor final, especialmente em setores como o automotivo e o de bens duráveis.
“Em um primeiro momento, ela causa uma insegurança e uma incerteza nas pessoas. Muitas que votaram no próprio presidente vão ficando desacreditadas, visto que as medidas não estão surgindo efeito, como foi dito. Em segundo momento, vai alcançar as cadeias produtivas e pode faltar produto, provocando um aumento nos preços”, afirma.
A economia dos EUA permanece aquecida, com taxa de desemprego em 4%, mas há sinais de que o impacto das políticas tarifárias ainda não foi plenamente sentido. Segundo o economista Marcos Hanna Valle, a expectativa de alta de preços já influencia a percepção pública.
“Existiu uma queda na percepção da condição econômica, e isso tem a ver com a parte das tarifas e o reflexo disso na inflação. Acredito que ainda é um aspecto que não foi sentido pela população americana, na prática. Essa percepção negativa das tarifas é a expectativa de como elas vão afetar a inflação, e não de fato como elas já estão afetando”, explica.
Relações comerciais globais
Diante desse cenário, Trump enfrenta um desafio político: equilibrar sua política econômica sem perder apoio popular. Com o impacto das tarifas ainda em fase inicial, especialistas alertam que os próximos meses serão cruciais para medir os efeitos reais dessas medidas e sua influência na corrida presidencial.
As políticas econômicas de Trump também têm repercussões internacionais. A imposição de tarifas e a postura mais protecionista dos Estados Unidos têm gerado tensões comerciais com outros países, como China, México e Canadá. Essas medidas podem afetar não apenas a economia doméstica, mas também as relações comerciais globais.
“A situação econômica dos Estados Unidos influencia o mundo inteiro. Estamos falando da maior potência econômica do planeta. Não só a questão das relações comerciais, mas em relação ao dólar também. Isso impacta o preço do dólar no mundo inteiro”, esclarece Bergo.